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Nesta Edição
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CAPA

PONTO DE PARTIDA (pág.1)
Bráulio Luna Filho


ENTREVISTA (pág.4 a 9)
Roberto Cardoso


CRÔNICA (págs. 10 a 11)
Gregório Duvivier*


SOLIDARIEDADE (págs.12 a 15)
Saúde & países pobres


DEBATE (págs.16 a 21)
Transplante de fígado


HISTÓRIA DA MEDICINA (págs. 22 a 25)
Guido Arturo Palomba*


GIRAMUNDO (págs. 26 a 27)
Curiosidades & Novidades


PONTO.COM (págs. 28 a 29)
Informações do mundo digital


HOBBY (págs. 30 a 33)
Médicos escritores e blogueiros


CULTURA (págs. 34 a 38)
A cidade por outra visão


LIVRO DE CABECEIRA (pág. 39)
Arte & Ciência


+CULTURA (págs. 40 a 41)
Lazer & entretenimento


TURISMO (págs. 42 a 46)
África do Sul


CARTAS & NOTAS (pág. 47)
Leitores


FOTOPOESIA (pág. 48)
Sá de Miranda


GALERIA DE FOTOS


Edição 70 - Janeiro/Fevereiro/Março de 2015

HOBBY (págs. 30 a 33)

Médicos escritores e blogueiros

Médicos fazem blogs de literatura


 




 

 

A escrita exige dedicação, persistência e estudo. A Medicina também. A escrita envolve, emociona e cativa. A Medicina trata, renova e cura. As duas, de alguma forma, caminham juntas, pelo menos é assim que os escritores, blogueiros e médicos Otávio Ranzani e Carlos Alberto Pessoa Rosa enxergam os dois ofícios. Já para a médica e também blogueira Andrea Rosenthal, “a escrita tem o poder de acalmar”.

Ranzani nasceu em São João da Boa Vista e viveu em Vargem Grande do Sul até deixar o Interior paulista para cursar a Faculdade de Medicina da USP, na Capital, onde se formou em 2008. O interesse pela escrita, entretanto, surgira antes, nas aulas de literatura do colégio, quando tinha por volta de 16 anos e fazia seus primeiros rascunhos. Durante a faculdade, Ranzani decidiu criar um blog para publicar seus textos. “Alguns colegas pediam para lê-los, e existe um momento em que o escritor precisa expor sua produção para algum leitor. Foi então que decidi criar o Canela Café, como era chamado o blog”, explica. Outro grande incentivo para a criação deste – que ficou sete anos online – foram suas outras duas paixões: a fotografia e a música. Suas postagens incluíam ilustrações e fotos, além de trechos de canções.

Desde então, ambos os interesses caminham juntos. “O exercício diário da Medicina é pura vida, histórias, contos e sentimentos, associados à parte técnica. Nunca reproduzi algo real da profissão em minhas ‘pequenas histórias’, porém, tudo o que vivi e vivo como médico influencia meu modo de ver o humano”, diz. 

A Medicina não foi relegada em nenhum momento. Após se formar, fez dois anos de Clínica Médica e outros dois de Medicina Intensiva, no Hospital das Clínicas da USP. Mas a escrita nunca deixou de estar em seu caminho. “Mesmo nesses momentos, escrever foi uma terapia para mim. Em geral, andava com um caderninho de anotações no bolso pelas aulas, pelo hospital... Sem dúvida nenhuma, um acrescentou algo ao outro”, diz. Hoje Ranzani é médico intensivista e faz pós-graduação em Londres.

Já a carreira como escritor lhe rendeu o prêmio Top Blog, na categoria Literatura, Júri Popular, em 2011. “Foi um momento muito importante, pois foi uma resposta dos leitores, seguidores, amigos e da comunidade virtual de que o blog tinha crescido e minha escrita também”, observa. A ótima relação que Ranzani mantinha com seus leitores o impulsionou a publicar o livro Graúna Grampola. “Costumo dizer que editar um livro é como ter um filho, até escolher o nome do título é recheado com certa excitação”, conta.
 
Devido a problemas de espaço no servidor, Ranzani teve de encerrar o Canela Café. O médico decidiu, então, unir-se a um grupo de amigos e escritores, que se conheceram em saraus e lançamentos de livros, para montar um novo blog, com conteúdo coletivo, chamado Doam-se Palavras (www.doamsepalavras.com.br). “A ideia é fascinante; ali eu ‘doo’ microcontos, algo como prosa poética”, conta.

 

Das fanzines para o blog 
Com uma história diferente, o médico clínico geral e cardiologista Carlos Rosa começou o seu blog Meio Tom por meio de fanzines (revistas editadas por fãs) de literatura, no final dos anos 80. Os exemplares eram distribuídos gratuitamente a escritores nacionais e internacionais. Porém, com o avanço da internet e o aumento dos custos dos correios, os fanzines deram lugar ao Meio Tom Poesia & Prosa (www.meiotom.art.br).

O blog é integralmente editado por Rosa, que atualiza seu conteúdo semanalmente. Tudo o que acontece no mundo da literatura – de novidades a tendências – é divulgado, o que mantém a página sempre atualizada. O médico, formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, em 1976, diz que a participação de outros escritores é fundamental, já que o Meio Tom trabalha também com a divulgação de novos nomes da escrita e de outros já conhecidos, como Claudio Willer, Flávio V. Amoreira, André Carneiro e Eunice Arruda. 

O médico escreveu também o livro infantil Una casa bien abierta. Antes de se tornar uma obra, o texto ficou disponível no site Cronópios, até que Ruth Kaufman, da editora Pequeño Editor, de Buenos Aires, decidiu entrar em contato com ele para sugerir sua publicação na Argentina. “Ela disse que há mais de um ano estava namorando o texto, esperando que alguma editora brasileira se interessasse pela história; pediu-me autorização para editar e eu dei”, relata. Lançado na Feira do Livro de Buenos Aires, em julho do ano passado, o livro é, atualmente, o segundo mais vendido da editora.

Conciliar a Medicina e a literatura é um desafio constante para Rosa, embora, na sua opinião, sejam complementares. “O contato diário com os pacientes exige uma escuta especial, há necessidade de reavaliar e reciclar valores. A literatura abre a possibilidade de um diálogo com personagens fictícios, enriquecendo a reflexão sobre o viver e o morrer. Acredito que a literatura me aproximou da prática de uma Medicina que prioriza a ética da amizade”, diz. Como médico, ele atua em Atibaia e é delegado do Cremesp na Regional de Bragança Paulista.

Além do Una casa bien abierta, ele escreveu outro livro que lhe rendeu prêmios, o Sabenças – selecionado no prêmio Literatura para Todos, patrocinado pelo Ministério da Educação. “A escrita é meu segundo oxigênio. Com ela posso tocar a realidade ou imaginar. Se tenho alguma dependência, ela não é química, é de significado e significante, isso só a palavra pode oferecer”, confessa.
 

Folha em branco
“Sempre gostei de escrever, para mim uma folha em branco sugere uma vida inteira”, diz a médica Andrea Rosenthal, que começou a escrever como hobby. Em 2009, após um relacionamento à distância com um namorado do Rio de Janeiro, ela resolveu criar o Depois é agora (www.depoiseagora.blogspot.com.br) “para desabafar, pois ele sumira de repente”. A médica acabou não escrevendo sobre a história, que terminou. Mas o blog ficou.

Ortopedista, especialista em Cirurgia do Joe¬lho e Artroscopia, Andrea faz da escrita uma forma de levar a vida de maneira mais leve, com mais humor, e de descarregar o estresse do dia a dia. “Foi onde eu me encontrei; tudo o que acontece comigo e que possa render uma boa história, coloco no blog”, diz.

Conciliar a profissão com a escrita é, também para ela, um constante desafio. Como médica, atende no Centro Médico do Hospital Santa Isabel e em uma clínica, na capital paulista, locais onde alguns de seus pacientes acompanham seu blog. “Isso contribui, inclusive, na relação com eles. Aqueles que conhecem esse meu lado já chegam comentando sobre meu último texto e até sugerem temas, criando um ambiente melhor na consulta”, comemora. 

Essa relação não começou no Depois é agora. Andrea possui outro blog, o Relacionamentos Cibernéticos (http://relacionamentosciberneticos.blogspot.com.br) no qual conta histórias de amores virtuais – muitas fracassadas, mas engraçadas. “Para mim é importante tentar olhar a vida com um pouco mais de humor, ver as situações cotidianas com mais leveza”, comenta. 

Futuramente, ela pretende fazer uma coletânea das suas crônicas para publicá-las em livro. “Acho legal a participação dos leitores, e recebo muitos elogios. Não tinha a pretensão de fazer uma publicação, mas depois de notar que minha escrita evoluiu, esse desejo apareceu”, confessa.

Contos, microcontos, livros, poemas... Os três profissionais provam que médicos podem ser ótimos escritores e blogueiros.
 


 

O olho do sabiá faz crescer a floresta
Posted by Otavio Ranzani

 

o olho do sabiá faz crescer a floresta

marcelo vende halls na rua do hospital. grita sons rasgados de segunda a quinta, quando deixa o uniforme de lado e vai ser sambista na quadra da mocidade. joana é ascensorista no cemitério da paz. oferece condolências e sugere sempre algum andar em especial às carpideiras de plantão. percebe as famílias que necessitam de apoio. ou o defunto que não tem muitos amigos. bruno consome as balas e as latas que ganha no semáforo da nove de julho. feito bezerro novo. como os sabiázinhos sugam minhocas da boca da mãe no ninho. bruno quando chega ao morro do geraldo nos fins de semana doa. doa todo o açúcar e a energia que carrega. no lado de baixo da meia. doa sua loucura e seu sonho aos céus. feito tia quitéria jogando búzios ao alto. em cada nó da rabiola ele distribui palavras. pra fazer chover poeira de rosa nos companheiros. pra fazer coceira indecente ao público com pó de carqueja.
bruno soltando pipa no morro é cinema ao ar livre.


Colaborou: Fátima Lopes


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