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CAPA

ENTREVISTA (pág. 3)
Gabriel Wolf Oselka


NOTÍCIAS (pág. 4)
Plenária do Cremesp recebe ministro da Saúde e exige soluções para a crise


ESPECIAL (PÁG. 5)
Serviços exclusivos conferem destaque ao Conselho paulista


ESPECIAL (PÁG. 6)
Exposição registra pujança do Conselho paulista nas lutas em prol da Saúde


ESPECIAL (PÁG. 7)
Ações regionais foram referências para regulamentações no País


ESPECIAL (PÁG. 8)
O percurso do Cremesp rumo à regulamentação dos Conselhos de Medicina


ESPECIAL (PÁG. 10)
Médicos de SP ganham obra de arte exclusiva do artista plástico Guto Lacaz


AGENDA DA PRESIDÊNCIA (PÁG. 11)
Presidente do Cremesp fala sobre papel dos Conselhos em congresso internacional


ESPECIAL (PÁG. 12)
O que nos reserva a Medicina dos anos futuros?


EU, MÉDICO (PÁG. 13)
Para médica, avanço tecnológico não significou avanço humano


EDITAIS (pág. 14)
Convocações


ESPECIAL (pág. 15)
Cremesp é um dos protagonistas do pensamento bioético no País


EDITORIAL (pág. 2)
Cremesp na vanguarda


GALERIA DE FOTOS



Edição 351 - 09/2017

ESPECIAL (PÁG. 12)

O que nos reserva a Medicina dos anos futuros?


O que nos reserva a Medicina dos anos futuros?

Os últimos 60 anos, a Medicina vivenciou inovações inimagináveis graças às tecnologias digitais. A incorporação de novos procedimentos e equipamentos permitiu avanços no tratamento e diagnóstico de doenças e mudanças na relação médico-paciente, influenciadas também pelo maior acesso à informação e autonomia da pessoa assistida. À medida que as plataformas on-line e as tecnologias digitais continuam a emergir, as transformações avançam em ritmo acelerado, com repercussão nos modelos de ensino e pesquisa, assim como na prática médica e na gestão de saúde.

Mas, se antes era mais difícil prever o tamanho do salto tecnológico dos últimos 60 anos, é precisamente a tecnologia que hoje permite projeções sobre o futuro mais próximas da realidade.

Na opinião do professor e líder do Grupo de Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) em Telemedicina e Telessaúde (CNPq /MCTIC), Chao Lung Wen, em aproximadamente dois anos a tecnologia digital incorporará, à Medicina, novos dispositivos que ajudarão a propedêutica médica e o monitoramento de pacientes, com compartilhamento de dados à distância. Será cada vez mais frequente o uso de equipamentos portáteis de apoio a diagnóstico baseados em smart­phones. Wen cita como exemplos dessa tecnologia digital o ultrassom portátil, o dermatoscópio, oftalmoscópio, otoscópio, colposcópio, teleECG, oxímetro, estetoscopio, medidores de sinais vitais e impressoras 3D para apoio a planejamento cirúrgico.

 “Para que estas tecnologias sejam bem aproveitadas, é preciso incorporar a Telemedicina como disciplina obrigatória no ensino médico”, avalia o pesquisador. “Assim, será possível fortalecer o ensino sobre ética,  responsabilidade digital e técnicas de telepropedêutica”, completa.

 Entre as novas tecnologias que devem ser incorporadas em médio prazo, de 4 a 5 anos, destacam-se os aplicativos para smart­phones de inteligência artificial para, por exemplo, screening diagnóstico de reconhecimento de padrões de lesões; biosensores em lente de contato para dosagem de glicemia; biochips para realização de exames laboratoriais; escâner 3D de precisão; impressora de alimentos de apoio à prescrição de dietas.

Em longo prazo, entre 5 a 10 anos, a Medicina será ainda mais futurista, com a utilização da telerrobótica para procedimentos médicos e de robôs acolhedores no apoio à atenção domiciliar, além de impressora 3D de medicamentos.

As novas tecnologias, entretanto, não serão responsáveis por mudar diretamente a relação médico-paciente do futuro, acredita Chao. “São as pessoas que mudam, seja por banalizarem os relacionamentos, seja por tornarem-se muito ‘máquinas’. Precisamos educar para melhor adequar a sociedade às mudanças sociotecnológicas do futuro”, diz.

 

Tecnologia e ética

A internet e especialmente as redes sociais também se tornaram temas centrais na discussão sobre ética médica, o que levou o Cremesp a editar, em 2016, um alerta sobre o uso do WhatsApp ou aplicativos similares pelos médicos. Nele, a orientação é de que, quando for atender às demandas por vias digitais, é necessário que o médico conheça o quadro clínico atual dos pacientes, para que possa orientá-los com observância ao Código de Ética Médica, particularmente com respeito ao sigilo profissional, evitando expô­­­-los em grupos.

 


 

Em 2050, proporção entre número de médicos e população será 60% maior que a atual

 

Projeção feita com base no estudo Demografia Médica do Brasil – rea­lizado pelo Cremesp em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) – prevê que a razão número de médicos/1 mil habitantes no Estado de São Paulo será, em 2050, 60% maior, chegando a 4,6. Atualmente essa proporção é de 2,8, com 126.687 médicos para uma população de 45.094.866 habitantes. Em 2050, o Estado terá 217.308 médicos para uma população estimada em 47.203.417 pessoas.

“É importante lembrar que essa projeção indica uma tendência com base em dados atuais e, se nada for feito para impedir a abertura de novas escolas médicas, sem condições de ensino e pesquisa, o quadro de assistência à saúde da população será ainda mais grave”, alerta o coordenador de Comunicação do Cremesp, Antonio Pereira Filho.

 

Especialidades

A partir de 2018, será obrigatória a oferta de número de vagas para Residência (R1) na mesma proporção das existentes na graduação médica. Assim, se a norma for cumprida, em princípio, teremos, em 2050, a mesma proporção de médicos e residentes ingressando nos programas a cada ano. Atualmente, de acordo com o Demografia Médica do Brasil, as especialidades com o maior número de profissionais em São Paulo são: Clínica Médica, Pediatria, Cirurgia Geral e Ginecologia e Obstetrícia.

 

Mais mulheres

Pelo estudo, atualmente as mulheres representam 44,8% do número de médicos no Estado. Em 2025, pela primeira vez na história da Medicina no País, o percentual feminino será maior, 54,8%, ultrapassando o de médicos (45,2%).

 


 

Tecnologia avança, mas a relação médico-paciente deve permanecer a base da assistência

Antonio Pereira Filho*

 

É bem possível que boa parte dos avanços preconizados para a Medicina se concretize. No entanto, a história recente-passada mostra que avanços projetados nem sempre conseguem cumprir toda a expectativa neles depositada.

No começo dos anos de 1980, falava-se que ninguém mais morreria, porque havia todo um sistema de manutenção artificial da vida. Não foi isso que aconteceu.

Quando surgiu o diagnóstico por imagem também se falava que a investigação do câncer estaria resolvida, porque a tomografia e a ressonância evidenciariam tumores até entre duas células. Mas isso também não aconteceu, mesmo quando surgiram, algum tempo depois, os marcadores tumorais. As pessoas também não deixaram de morrer por bactérias multirresistentes quando a imunologia avançou e surgiram antibióticos mais eficazes e potentes.

A tecnologia também suscita especulações em torno da robotização da profissão, na qual a máquina substituiria o médico por completo. Mas é fundamental lembrar que a Medicina é uma ciência humanística, que trata de pessoas em sua dimensão biopsicossocial. A tecnologia pode ajudar o médico a fazer diagnósticos, planejar terapêuticas, mas não substituirá a relação médico-paciente. A anamnese, o estudo do diagnóstico e a terapêutica de doenças devem considerar o paciente em toda sua subjetividade, como uma pessoa que tem uma visão de mundo, uma forma de sentir, de se relacionar e de expressar sua doença. A atenção médica vai além do saber científico-tecnológico e abrange uma constante reconstrução de significados sobre saúde e doença.

Ainda é preciso observar que a alta tecnologia é dispendiosa e não acessível a todos. Seu uso em larga escala exige uma capacidade de racionalização de recursos que ainda não conseguimos alcançar no atual estágio, sendo este um dos grandes dilemas contemporâneos. Uma questão crucial que se coloca para o futuro em relação à tecnologia em saúde refere-se à sua aplicação plena e democrática no mundo real, ou se ela continuará restrita apenas às populações com poder aquisitivo capaz de usufruir de seus benefícios.

 

* Coordenador de Comunicação do Cremesp.

 

 

 

 


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