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Cremesp na Mídia

Evite partir comprimido ao meio

Jornal de Brasília - 07/06/2007 - Saúde - O infectologista e conselheiro do Cremesp, Caio Rosenthal, explica ao lado de outros especialistas, a prática da divisão de comprimidos e o que ela pode causar.

A prática de quebrar um comprimido pela metade para alcançar a dose prescrita pelo médico pode prejudicar o tratamento ou expor o paciente a uma superconcentração do remédio, deixando-o vulnerável a efeitos tóxicos. Uma pesquisa realizada por farmacêuticos do setor de manipulação mostra que as metades obtidas na partição do comprimido apresentam uma variação de conteúdo além dos limites recomendados.

Foram analisados dois diuréticos – o furosemida 40 mg e o espironolactona 25 mg. O estudo aponta que a partição resulta em "significativa diferença'' de massa entre as partes e perda de partículas. Os comprimidos analisados na pesquisa são de liberação sustentada, ou seja, após a ingestão, são absorvidos pouco a pouco pelo organismo.

"Esse tipo de medicamento não deve ser partido em nenhuma condição'', afirmou Vanessa Pinheiro, coordenadora da pesquisa e integrante da Câmara Técnica da Anfarmag (associação que representa o setor de manipulação).

Segundo Vanessa, porém, a quebra é desaconselhável em qualquer caso, mesmo quando o medicamento for fabricado com um sulco para facilitar a partição. "Vimos que a posologia (indicação de doses) acaba comprometida quando o remédio é quebrado'', disse ela.

Segundo a diretora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, Terezinha Andreoli Pinto, a maioria dos comprimidos sulcados não se presta a uma divisão "perfeita''. Quando quebrado, além da falta de uniformidade, o remédio pode sofrer alterações no teor ou se degradar em substâncias que tenham toxicidade. "Em certos casos, há um limiar muito estreito entre a perda do valor terapêutico e uma agressão tóxica'', disse Terezinha, que diz ver um "risco grave'', especialmente quando a quebra ocorre sem orientação médica.

A pesquisa sobre partição de comprimidos não analisou os efeitos das meias doses em pacientes. "Não podemos precisar os males que essa prática causa, mas certamente há um prejuízo no tratamento'', diz Vanessa Pinheiro.

Problemas

O farmacêutico-chefe do Incor-SP, Valter Garcia Santos, conta que já teve casos de pacientes que compraram comprimidos em concentrações inadequadas, tiveram de parti-los e comprometeram o tratamento. "Alguns sofriam de hipertensão e, como partiam o remédio, não conseguiam o controle adequado da pressão''.

Para o infectologista e conselheiro do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) Caio Rosenthal, é sempre melhor evitar a quebra de comprimidos, embora ele mesmo se veja obrigado a prescrever doses fragmentadas. O argumento é que o médico não tem opção em certos casos. "As doses são recomendadas para pessoas com peso médio de 70 quilos. Se você tem um paciente de 50 quilos e outro de 120 quilos, é claro que será preciso fazer um ajuste'', afirma.

Remédio de dose simples

Os fármacos furosemida e a espironolactona foram escolhidos, porque, além de possuírem técnicas relativamente simples de doseamento, fazem parte dos medicamentos que são ofertados, mediante prescrição médica, de maneira contínua pela rede básica de saúde, de acordo com o Programa Farmácia Básica de Medicamentos, que distribui às unidades de saúde dos municípios uma cesta composta por várias classes de fármacos.

Os diuréticos de alta potência são eficazes no tratamento de edema de origem cardíaca, hepática ou renal. A via oral deve ser usada, a menos que seja impraticável ou que a situação clínica exija uma diurese rápida; em tais casos deve ser empregada a administração intravenosa ou intramuscular. Esses diuréticos têm sido também usados em pacientes com insuficiência renal aguda precoce.

Eliminação

A furosemida pode ser encontrada na forma de comprimidos de liberação imediata na dosagem de apenas 40mg. A mesma é absorvida rapidamente, sendo eliminada por secreção tubular, bem como por filtração glomerular. Sua absorção é de 2h a 3h sendo quase tão completa quanto à de sua administração intravenosa e a duração de seu efeito é habitualmente de 2h a 3h, a meia vida depende da função renal.

A espironolactona é encontrada na forma de comprimidos de liberação imediata na dosagem de 25, 50 e 100mg. É um diurético poupador de potássio, anti-hipertensivo, utilizado como adjuvante no tratamento da hipertensão arterial. É extensivamente metabolizado no fígado com uma biodisponibilidade que excede 90%.

Resolução da Anvisa faz advertência

Uma resolução de 2003 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determina que comprimidos revestidos, medicamentos com liberação controlada, cápsulas, drágeas e pílulas não podem ser partidos. A advertência deve constar na bula dos remédios. É permitida a quebra de comprimidos sulcados e não revestidos. Já as unidades redondas podem romper ou partir de forma não igualitária durante a quebra. A Anvisa recomenda cuidado na partição de comprimidos pequenos, dada a dificuldade de se localizar o meio com exatidão. Outra recomendação ao paciente é que sempre siga a orientação do farmacêutico ou médico antes de partir o remédio.

A Anvisa reconhece que a partição de comprimidos afeta a posologia e pode ser prejudicial ao paciente, especialmente quando o medicamento for destinado a uma área específica do organismo ou for de liberação sustentada, ou seja, liberado pouco a pouco no decorrer do dia.

Procurada, a Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma) preferiu não se pronunciar sobre a partição de medicamentos. Em nota, informou apenas que a indústria "cumpre todas as orientações emanadas dos organismos internacionais e nacionais responsáveis pela saúde''.

Saiba mais

Por que a quebra de comprimidos virou prática comum?
Em alguns casos, uma caixa de comprimidos de 20 mg custa o mesmo que uma de 40 mg. O paciente, então, economiza comprando o de 40 mg e partindo em dois. Mas, além do aspecto econômico, o paciente deve pensar na eficácia do tratamento

Quando a partição não é recomendável?

A quebra pode ser prejudicial especialmente se o comprimido tiver ação sobre uma área específica do corpo, ou for de liberação sustentada – quando tem seu teor liberado no decorrer do dia. Nesse caso, a medicação pode se tornar ineficaz ou mesmo prejudicial

Nenhum comprimido pode ser partido?
Em certas condições, a quebra é viável e pode ser vantajosa, mas deve sempre ser discutida entre o médico e o paciente. Deve-se ter o máximo de cuidado com comprimidos pequenos, dada a dificuldade de parti-lo exatamente ao meio. Também é preferível usar um aparelho para partir os comprimidos a quebrá-los com a mão

O que acontece quando o remédio é quebrado?
Estudos mostram que a quebra desagrega o comprimido e há uma variação significativa entre as duas metades. Geralmente, a partição afeta a posologia (doses indicadas)

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