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Tufik Bauab*


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Emerson Elias Merhy*


DEBATE (pág. 18)
A relação médico-paciente e a internet


GIRAMUNDO (págs. 24 e 25)
Curiosidades da ciência e tecnologia, da história e atualidade


SAÚDE NO MUNDO (pág. 26)
O sistema de saúde público no Japão


HISTÓRIA DA MEDICINA (pág. 30)
Epidemias: os grandes desafios permanecem


CARTAS & NOTAS (pág. 33)
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Alexandre Leite de Souza


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Imperdíveis exposições da Pinacoteca


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Das flores de Bali ao enxofre do Ijen


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Dica de leitura de Desiré Carlos Callegari *


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Adélia Prado


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Edição 58 - Janeiro/Fevereiro/Março de 2012

SAÚDE NO MUNDO (pág. 26)

O sistema de saúde público no Japão

Universal e equânime, de verdade

Cobertura de Saúde Universal do Japão, que completou 50 anos, garante assistência a toda a população, a baixo custo

Por Ruy Tanigawa* 


Hospitais de ponta, como o Hospital Universitário de Nagoya, e médicos bem formados constituem a base do sistema de saúde japonês  

A estruturação do sistema de saúde do Japão iniciou-se nos primórdios do século 20, quando o governo optou por uma política de ocidentalização rápida em toda a sociedade, conseguindo mudar a Medicina exercida até então, basea¬da na prática médica chinesa. Inicialmente, foi adotada como modelo a escola alemã e, posteriormente, a norte-americana. Marcado pela redução de taxas de mortalidade infantil e pelo aumento da expectativa de vida ao nascer, atribuídos também à oferta de educação – eficiente, obrigatória e gratuita –, o setor da saúde do Japão é, hoje, um dos mais eficientes do mundo.

A devastação do país durante a Segunda Guerra Mundial abalou, sensivelmente, o estado de saúde da população. Em 1947, a expectativa de vida masculina era de apenas 50 anos, e a feminina, 54. Mesmo assim, na década de 50, houve acentuada redução da taxa de mortalidade por doenças transmissíveis, em razão do fortalecimento das instituições comunitárias de saúde. Desde 1986, a expectativa de vida feminina, no Japão, é a mais alta em todo o mundo, chegando aos 86 anos em 2009.

   
        O complexo sistema denominado Cobertura de Saúde Universal do Japão completou 50 anos de existência em 2011. Foi criado em 1961, com resultados expressivos, graças às ações preventivas primárias e secundárias – e uso de tecnologias avançadas –, em relação, por exemplo, à mortalidade de adultos para doenças não transmissíveis, como o AVC, diabetes etc. Dentre outras iniciativas, foram realizadas campanhas para a redução da ingestão de sal, contra o tabagismo, riscos cardiovasculares e prevenção de suicídios.


Com isso, houve uma redução das desigualdades de saúde entre a população. Mesmo os cidadãos que não podem contribuir financeiramente têm os mesmos direitos à assistência médica garantidos pela constituição do país.

A edição de setembro último da revista britânica The Lancet dedica extensa matéria ao cinquentenário do sistema de saúde japonês, enfatizando, sobretudo, os índices saudáveis daquela sociedade, conseguidos a um baixo custo, e com equidade. Os cuidados médicos eficazes podem ser alcançados sem fila de espera, com despesas relativamente baixas (8,5% do PIB). Porém, salienta a revista, a longevidade e suas implicações sociais trazem necessariamente novos debates e desafios a serem resolvidos.

Os médicos
O sistema conta com cerca de 260 mil médicos, formados em 78 faculdades de Medicina, sendo 28 particulares e as demais públicas – estaduais, federais ou municipais – e mesmo estas são pagas. Após seis anos de estudos médicos regulares, os recém-formados submetem-se obrigatoriamente ao Exame Nacional de Medicina. Os aprovados passam a integrar, durante dois anos, o Programa Médico de Família e, posteriormente, fazem especialização por meio da Residência Médica.

Todos os médicos são filiados à Associação Médica do Japão, regional ou nacional, que, dentre diversas funções, realiza também a defesa dos associados em relação ao crescente número de denúncias de erro médico. Em geral, porém, os médicos japoneses se esforçam para melhorar a relação médico-paciente, dentro do contexto de uma medicina mais igualitária do que a praticada no passado.

Assim como no Brasil, a fixação do médico fora dos grandes centros urbanos também é muito difícil, neste caso em decorrência da dimensão insular do país, com pequena extensão territorial. O problema foi amenizado com a figura do “helicodoctor” nas cidades menores. Trata-se da assistência médica feita por uma equipe médica que se desloca em helicópteros.

Outro dado interessante é o controle feito pelo governo para evitar grandes lucros no comércio de medicamentos, que são adquiridos nos hospitais logo após a prescrição médica, e contam com subsídios de 70% a 100%.


Cuidados médicos eficazes podem ser alcançados sem fila de espera

Cultura e educação
Atribuir somente à Cobertura de Saúde Universal a responsabilidade pela população saudável não é totalmente correto. Os índices japoneses intrigam pesquisadores de vários países, que analisam também outros fatores. Dados da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e do Instituto Max Planck para pesquisa demográfica apontam: “muito contribui o estilo de vida do povo nipônico, em primeiro lugar, a atenção à higiene em todos os aspectos da vida cotidiana. Esta atitude pode, em parte, ser atribuída a uma complexa interação da cultura, educação, clima, água em abundância e à velha tradição shinto, de purificação do corpo e da mente. Acrescente-se a isso, a realização de exames como norma. O rastreamento em massa é fornecido para todos na escola, no trabalho ou na comunidade, pelas autoridades governamentais locais. Em terceiro lugar, a comida japonesa tem um benefício nutricional equilibrado, e a dieta da população tem melhorado em conjunto com o desenvolvimento econômico ao longo de cinco décadas passadas”. O hábito regular da prática de exercícios físicos é outro fator que colabora para a constante melhoria da saúde dos japoneses.


Dieta equilibrada também contribui para melhorar a saúde dos japoneses

Diversos outros estudos analisam a saúde e a longevidade do povo japonês. Publicados em inúmeros periódicos, as diferentes abordagens mostram o grau de complexidade do tema e analisam a vontade política dos governantes, o desenvolvimento econômico do país, o processo cultural e, fundamentalmente, o acesso à educação eficiente e contínua da população.

Dedicação
O sistema de saúde japonês foi testado recentemente, em março de 2011, pelo terremoto de magnitude 9,0 na escala Richter, e subsequente tsunami de até 40 metros de altura, causando sérios danos à infraestrutura do país, incluindo hospitais, centros de saúde e uma usina nu¬clear. O vazamento de radiação durante o inverno, com riscos de novos tremores e contaminação nuclear, não impediram que as equipes médicas trabalhassem, mesmo com escassos equipamentos. Apesar das condições adversas, lograram êxito e demonstraram que o espírito do sistema de saúde também é determinado pela dedicação de seus componentes, como tem sido nos seus 50 anos de existência.

O futuro do sistema japonês, entretanto, é frequentemente questionado devido aos fundamentos financeiros e sociais dos cuidados de saúde. A crise econômica que atinge o mundo todo e a ameaça de estagnação econômica – que ampliam as divisões sociais e aumentam a desigualdade –, combinadas com o aumento dos custos de saúde e o envelhecimento da população, levam os médicos japoneses a preocupar-se com a sustentabilidade do acesso universal sob tais pressões.

Mas, uma sociedade exposta, permanentemente, a adversidades espera superar mais esse desafio e debater eventuais reformas para o futuro. A experiência japonesa é altamente relevante em uma era de intensificação de interações para alcançar os objetivos de desenvolvimento do milênio no que tange à saúde.

Fonte: The Lancet


*Ruy Tanigawa é médico acupunturista, conselheiro do Cremesp e 1º secretário da Associação Paulista de Medicina.


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