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CAPA

EDITORIAL (pág.1)
Ponto de Partida - Novo Código de Ética Médica reafirma o respeito ao ser humano


ENTREVISTA (pág. 4)
Uma conversa com o introdutor do ensino de Nutrologia nas escolas médicas do país


EM DEBATE (pág. 9)
Abortamento espontâneo: entender porque ocorre reduz o estresse associado à perda


CRÔNICA (pág. 12)
Ruy Castro e a biografia que escreveu sobre a "pequena notável"...


SAÚDE NO MUNDO (pág. 14)
O sistema de saúde português garante a melhoria significativa de saúde da população


AMBIENTE (pág. 18)
Conheça a rede mundial Saúde Sem Dano: mais de 50 países participam


SINTONIA (pág. 21)
Indústria de alimentos deve estimular o consumo de produtos saudáveis


EM FOCO (pág. 23)
Forças Armadas do Brasil e Força Expedicionária Brasileira


GIRAMUNDO (pág. 26)
Curiosidades da ciência e da história


PONTO COM (pág. 28)
Canal de atualização com as novidades do mundo digital


HISTÓRIA (pág.30)
A assepsia das mãos na prática médica


GOURMET (pág. 33)
Acompanhe a preparação de uma receita especial para a macarronada do domingo...


CULTURA (pág. 36)
Tide Hellmeister: artista de técnicas variadas, deixou obras expostas no Cremesp


TURISMO (pág. 40)
Registro de um passeio inesquecível pelos vilarejos franceses


CABECEIRA (pág. 46)
Confira as sugestões de leitura do médico cardiologista Adib Jatene


CARTAS (pág. 47)
Versões digitais do JC e da SM facilitam acesso e leitura


POESIA(pág. 48)
Explicación, de Pablo Neruda, no livro Barcarola (1967)


GALERIA DE FOTOS


Edição 51 - Abril// de 2010

EM FOCO (pág. 23)

Forças Armadas do Brasil e Força Expedicionária Brasileira

Crônicas de dias difíceis

Entre o passado e o presente, diferentes histórias da cooperação militar brasileira


Vicente da Cruz, autor de Caminhos de um pracinha 

A recente participação de militares brasileiros presentes no Haiti e Chile pode parecer novidade, mas o país tem histórico em ações internacionais. No Haiti, as Forças Armadas do Brasil assumiram pela primeira vez o comando de uma operação da Organização das Nações Unidas (ONU), o que gerou polêmicas e críticas. A má impressão foi amenizada a partir da divulgação da imagem do efetivo militar brasileiro nas ruas, resgatando vítimas do terremoto que assolou aquele país em 12 de janeiro. Pouco tempo depois, a ajuda militar chegava ao Chile, após um violento terremoto e um tsunami atingirem o país, em 27 de fevereiro. A Força Aérea Brasileira enviou homens e helicópteros para as ações de busca e resgate em território chileno. No subúrbio da capital, Santiago, a Marinha instalou um hospital de campanha com capacidade para até 400 atendimentos por dia, apoiado por mais de cem militares, sendo 48 deles da área de saúde. Desta vez, a cooperação das forças armadas Brasil-Chile foi bem diferente de quando ambos os países viviam sob ditadura. Os tempos mudam.

Muitos não sabem, mas em 1942, a Força Expedicionária Brasileira (FEB), composta por pouco mais de 25 mil militares, entrou na batalha contra o nazismo, ao lado dos Aliados, durante a Segunda Guerra Mundial na Europa. Os pracinhas da FEB tinham apoio das populações que sofriam os horrores da guerra. Aqueles que retornaram ao Brasil foram recebidos como herois pela população. Até hoje eles são homenageados, no dia 8 de maio, quando se comemora o Dia da Vitória dos Aliados na Segunda Guerra.

Entre os expedicionários da FEB que lutaram no front estava o mineiro de Guaxupé, Vicente Pedroso da Cruz, hoje com 88 anos, autor do livro Caminhos de um pracinha, lançado em 2008. Ele integrava a 8ª Companhia de Fuzileiros do 6º Regimento de Infantaria, que passou 240 dias na linha de frente na guerra. Segundo o ex-pracinha, os dias frios e difíceis de confrontos e patrulhas eram amenizados pela receptividade das famílias, que ofereciam estadia e dividiam com eles a escassa comida que tinham.
 
Observador detalhista, Pedroso falou à Ser Médico das sensações que a guerra provoca nas pessoas. “Nos primeiros dias, a gente ficava muito assustado. Quando ouvi o primeiro tiro de canhão, o descontrole foi tremendo, meu joelho pulava e não conseguia segurar o queixo.” Muitos textos de jornais da época afirmavam que os soldados brasileiros eram despreparados para aquela guerra. Sobre isso, o ex-pracinha responde que, em todas as áreas, a experiência advém da prática e que, se isso vale para qualquer situação, tem maior peso na guerra. “Você tem de se familiarizar lá dentro mesmo. Essa experiência é o inimigo que lhe ensina”, diz. E não foram poucas as experiências adquiridas dessa forma. Pedroso contou como o seu regimento enfrentou o “batismo de fogo”. A caminho da linha de frente de uma batalha, os brasileiros pensavam estar se aproximando de uma tropa de aliados, até serem surpreendidos por rajadas de metralhadoras. Na verdade, seguiam em direção aos inimigos alemães.

Outro momento marcante para Pedroso foi o que passou ao lado do amigo Ricardo Fuckner, que pisou numa mina e perdeu uma das pernas.


Missa para os pracinhas, no front, celebrada pelo capelão militar em 25/11/1944, véspera dos primeiros ataques a Monte Castelo


Contador de quê?
Pedroso tornou-se um hábil cronista tardio daquela guerra. De volta ao Brasil, ele concluiu os estudos e trabalhou como contador em uma indústria. Na época, não falava muito sobre os horrores que viveu nos fronts em território italiano porque “sempre tinha alguém que fazia piadinha ou não acreditava nas histórias”. O contador da indústria começou a dar expediente como contador de histórias na década de 80, quando enviou à revista O Expedicionário – que circulava entre as associações de ex-combatentes – um texto sobre a patrulha que lhe rendeu o único ferimento de guerra: um braço deslocado. Atendendo a pedidos, acabou publicando uma série de crônicas na revista. Estimulado por amigos, esposa e filhas, entre elas a médica Lucila Pedroso da Cruz, reuniu esse material no livro Caminhos de um pracinha.

A memória seletiva de Pedroso pende para histórias de companheiros que dividem dificuldades e esperanças, de solidariedade e das amizades que nascem nessas situações limite. “Todos nós passamos pelas mesmas privações, mas cada um de acordo com sua sensibilidade”, ensina o ex-pracinha. A seguir, Ser Médico publica trechos do livro do ex-expedicionário da FEB.

(Colaborou Patrícia Garcia)


Coisas da FEB – Parece um conto...
Por Vicente Pedroso da Cruz*

Era uma vez uma guerra... Guerra esta mais conhecida por Segunda Grande Guerra, constante do rol das maiores conflagrações que a terra já viu...

Belonaves, verdadeiros arsenais de guerra, navegando em ziquezaque por mares sem fim, quais pugilistas a esquivarem dos duros golpes dos seus adversários, num vasto tablado de luta. (...)

Neve, frio e lamaçal. Noites que vão se arrastando pesadamente para o amanhecer. Dor e gemidos na escuridão...

Mas, em meio a tudo isso, também surgem homens encarregados de preciosa correspondência, vinda de além-mar... “Cabo Valdomiro, carta para você!”. “Para mim? Quem vai se lembrar da gente, aqui solitário, na escuridão da noite, afundado num frio foax-hole?” (...) Mas, escrito naquele papel, contrariando as normais expectativas e que o censor deveria ter jogado no lixo, alguém mandava dizer ao Valdomiro que sua namorada – aquela que ele havia deixado em sua santa Terrinha – havia dado baixa de seus compromissos com o teatro da guerra. Estava descasada com a incerteza. Afinal, a moça não tinha vocação para correr os riscos da nobre infantaria! É claro que o cabo não conseguiu dissimular sua momentânea decepção para com seu amigo e companheiro de longa data, o Dionísio. (...) Dionísio, sem esconder alguma preocupação, indaga ao amigo “O que está escrito nesse papel?”. E Valdomiro lhe responde, como se estivesse jogando tudo para o alto: “Passaram a mão na minha namorada” (entenda-se: “tomaram-me a namorada”). Sem deixar perder o clima do momento, Dionísio procurou ajudar o amigo, dizendo: “Deixa pra lá... Você vai se casar com a minha irmã; ela é bonita e rica!”. Assim, como quem acabava de celebrar um contrato, os dois colegas passaram a adotar entre eles, o tratamento de “cunhado”.

Em torno desses dois combatentes, os acontecimentos sucediam-se, na rotina da guerra: deslocamentos de um setor para o outro; ataques e contra ataques; patrulhas e mais patrulhas. (...)

Mas um dia, como num conto de fadas, a incerteza se transformou em certeza. Como um sapo que virava príncipe, a guerra acabou! Uma emissora de rádio anunciou, insistentemente: “La guerra nel’Europa é finita!”.

Retorno – desembarque – Brasil
As cidades, grandes e pequenas, festejam a chegada de seus pracinhas. À medida que iam chegando à sua cidade, a seu bairro, recebiam igual homenagem. O bairro do Dionísio, também do berço da Independência, engalanou-se, com bandeirinhas e tudo, para recepcioná-lo. Figura querida, bom jogador de futebol e amante da várzea, celeiro de grandes futebolistas daquele tempo. Logo à noite, durante o baile que se realizou para coroar as justas homenagens ao pracinha e ídolo, lá estava o Cabo Valdomiro. Uma bela arrumação que Dionísio arranjou, entre percalços que a guerra lhe reservou!

Valdomiro, naquele baile, dançou com a irmã de Dionísio, moça de 16 anos e muito bonita. Não eram tão ricos como disse o “cunhado” Dionísio aquele dia no front, num momento de empolgação e de solidariedade, mas estavam bem de vida.

Entre Valdomiro e a moça surgiu um namoro e aconteceu o casamento! Tiveram muitos filhos e foram felizes para sempre...

Acabou-se a história
Engrandeceu-se a vitória...
Quem quiser, que conte outra.


*Vicente Pedroso da Cruz lutou na Segunda Guerra Mundial pela Força Expedicionária Brasileira (FEB).O texto acima foi extraído do livro Caminhos de um pracinha – publicação independente, de 2008.


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