















Theatro São Pedro completa 90 anos

Das mais de 60 casas de espetáculos que existiam em São Paulo nas primeiras décadas do século 20, apenas os teatros Municipal e o São Pedro sobreviveram. Este último, localizado na rua Barra Funda, é o único de bairro que resistiu às pressões do boom da construção civil iniciado na segunda metade do século passado. Este ano, ele completa 90 anos como um pomposo e solene senhor em plena atividade.
A boa forma e elegância foram recuperadas graças a um processo de restauração, concluído no final da década de 90. O São Pedro tem um pórtico dourado em madeira esculpida no palco, saguão decorado por vitrais franceses e sobre as cadeiras da platéia, com capacidade para 636 pessoas, há um enorme lustre de cristal tcheco. As cortinas de veludo, nas cores vermelhas e verdes, fazem alusão a Portugal, pátria do fundador dessa casa de espetáculos,
o empreendedor Manoel Fernandes Lopes.

Para comemorar os 90 anos, o teatro apresenta uma exposição contando sua história com fotos e cartazes das principais peças ali executadas, além de imagens do antes e depois da reforma. A saga do São Pedro parece um drama teatral, com final feliz. As casas de espetáculos da primeira metade do século 20 eram construídas para ter uma programação eclética, desde operetas a sessões de cinema, passando por comédias e dramas teatrais. Com o passar do tempo,
o São Pedro funcionou apenas como cinema. Mas, na década de 60, essa região central da cidade (conhecida como Cinelândia) perdeu público e prestígio, e o teatro chegou a ser usado como depósito e estacionamento.

“O São Pedro tem uma indiscutível importância histórica e cultural para o teatro e para a cidade de São Paulo”, afirmou Vicente Amato Filho, diretor da
Associação Paulista dos Amigos da Arte, instituição que dirige a casa de espetáculos. Depois de um período de ostracismo, o teatro começou a ser reanimado, no final da década de 60, graças ao empenho de artistas engajados. Lélia Abramo, apresentou-se no local com a Companhia Papyrus.
O casal Beatriz e Maurício Segall e o ator Fernando Torres fizeram do local um centro de experimentação artística e de resistência à ditadura. A partir dos anos 70, em pleno regime militar, o São Pedro abrigou pequenos espetáculos de artistas e autores consagrados.
A Companhia Paulo Autran encenou a montagem histórica de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Mello Neto; Antunes Filho dirigiu Macunaíma, de Mário de Andrade; e Fernando Peixoto apresentou as peças de Chico Buarque Ópera do Malandro e Calabar. Ainda nesse período o teatro foi sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, sob a regência de Eleazar de Carvalho. Tombado em 1984 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), o casarão recuperou seu visual original da década de 20, passando a sediar concertos musicais e operetas.
Sua acústica é considerada uma das melhores de São Paulo, o que justifica a programação voltada para apresentações musicais. Na exposição histórica há alguns figurinos raros de óperas, parte de uma coleção de mais de 6.300 peças doadas pela antiga Casa Temaghi, uma das mais famosas do ramo de aluguéis de trajes para espetáculos. As outras peças da coleção serão expostas no Centro de Memória da Ópera do Theatro São Pedro, cujas obras devem terminar em 2008.

(colaborou Vanessa Miano)