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CAPA

PONTO DE PARTIDA
Editorial de Isac Jorge Filho: Pequenas Mudanças


POESIA
Miguel Carlos Vitalino, escritor e médico pneumologista


ENTREVISTA
A psiquiatra Carmita Abdo é a convidada especial desta edição


CRÔNICA
Ser filho de médico - José Simão


SINTONIA
Gravidez na adolescência


CONJUNTURA
Medicina Esportiva


DEBATE
Reprodução assistida para portadores de HIV


MEIO AMBIENTE
Compostos químicos e a saúde


COM A PALAVRA
A inveja não é só ruim - Carlos Amadeu Botelho Byington


HOBBY DE MÉDICO
Xadrez - No tabuleiro do doutor


HISTÓRIA DA MEDICINA
Tempo de criação 1951-1956


TURISMO
São Luiz do Paraitinga - Histórica, caipira e festeira


CULTURA
Corpos Pintados: mostra já percorreu 32 museus do mundo


CARTAS & NOTAS
Novo projeto gráfico da sua revista


LIVRO DE CABECEIRA
A Viagem Vertical - Enrique Vila-Matas


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Edição 31 - Abril/Maio/Junho de 2005

ENTREVISTA

A psiquiatra Carmita Abdo é a convidada especial desta edição

Carmita Abdo

A psiquiatra Carmita Abdo se diz “viciada em pesquisa”. Doutora e livre-docente pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, fundadora e coordenadora do Projeto Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, Carmita já realizou vários estudos relacionados à sexualidade, contribuindo sobremaneira para a formação médica nessa área e para a visibilidade da matéria como uma questão de saúde.

Seu mais recente trabalho resultou no livro “Descobrimento Sexual do Brasil”, a maior pesquisa sobre sexualidade já realizada no país. O questionário foi aplicado a 7.103 pessoas de várias regiões do Brasil e os resultados revelam o perfil e o comportamento sexual dos brasileiros do século XXI. Ex-consultora do Ministério da Saúde, Carmita também é membro do Comitê de Sexualidade do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia e do
Second International Consultation on Erectile and Sexual Dysfunctions. Para esta entrevista, coordenada pelo conselheiro Reinaldo Ayer de Oliveira, a médica recebeu a equipe do Cremesp em seu consultório.

Ser Médico: Como professora de uma faculdade de Medicina, quais são as dificuldades em discutir temas relacionados à sexualidade com o estudante e com a sociedade?
Carmita Abdo:
É fundamental que em cada etapa do curso o estudante tenha o aprendizado adequado ao seu grau de amadurecimento. O aluno iniciante está começando a conhecer sua própria sexualidade, tem dúvidas e vive conflitos pessoais nessa área. O assunto pode tocá-lo não como aluno, mas como pessoa. A idéia é passar a mensagem de forma leve, com muita informação, a fim de que ele a capte até para uso próprio e não se preocupe tanto, nesse momento, em lidar com a questão como se fosse tratar com terceiros. É uma delicadeza fazer isso sem perder de vista que esse cuidado está sendo tomado porque o estudante prioriza aprender aquilo que vai utilizar no exercício da profissão. Não pensa em cuidados para si. Mas na faculdade, a Sexologia Médica completa a formação pessoal do estudante.

Ser: A discussão da sexualidade deveria ser tratada como uma área de especialidade do ensino médico ou qualquer professor poderia fazer isso?
Carmita:
Embora esteja ligada à Urologia, à Ginecologia e à Psiquiatria, a Sexologia Médica ganhou unidade, deixou de ser uma disciplina pulverizada e deve se concentrar em professores que tenham especialização. Com a amplitude de conhecimento que se tem hoje, cada vez mais vão estar à disposição da população - que tem problemas sexuais - medicamentos, abordagens e condutas que não cabem nesta ou naquela especialidade. São da competência da Sexologia Médica.

Ser: Quais são os preconceitos e mitos que ainda precisam ser superados?
Carmita:
Ainda há quem considere que a sexualidade não é assunto de currículo médico. Embora seja uma função do ser humano, como comer e dormir, ainda não se fala clara e abertamente em sala de aula a respeito de sexo. Passados quase 20 anos de minha defesa de doutorado, muita coisa mudou, tanto que ministramos aulas sobre esse assunto na faculdade de Medicina. Mas ainda há barreiras para superar.

Ser: Os médicos formados há 20 anos estão preparados para atender as queixas sexuais dos pacientes?
Carmita:
Temos medicamentos, mas não temos médicos preparados para a anamnese, o diagnóstico e, conseqüentemente, o tratamento. Além disso, boa parte dos remédios para melhorar o desempenho sexual não precisa de prescrição. Se a receita fosse necessária, teríamos que correr atrás do prejuízo, aprender a receitar. Nós que estamos formados há 20 ou 30 anos, não aprendemos uma linha sequer sobre sexualidade erótica na faculdade. Tudo que aprendemos foi sobre sexualidade reprodutora. A Faculdade de Medicina da USP é uma das raras que tem hoje no currículo de graduação aulas sobre sexualidade, mas não formalizamos uma disciplina. E isso é necessário.

Ser: O aluno que entra na faculdade já sabe a diferença entre o sexo erótico e para reprodução ou essa questão precisa ser trabalhada?
Carmita:
Como temos medicamentos pró-eréteis no mercado há sete ou oito anos, o aluno já tem idéia de que essa questão será abordada, mas às vezes ele próprio está passando por dificuldade de ereção ou sua namorada tem vaginismo, dispareunia, dificuldade para o orgasmo. Embora sejam naturais na iniciação sexual, são percebidos como insolúveis e eles temem discutir o assunto. A estudante de Medicina pouco se manifesta, evitando os olhares curiosos dos colegas. Ainda é assim... Falar de sexo erótico é constrangedor em nosso meio universitário.


Ser: No livro “O Descobrimento Sexual do Brasil” a sra. apresenta uma pesquisa feita com a população, na qual 54% responderam que os médicos ouvem suas queixas sexuais, mas cerca de 6% fogem do assunto. Como a sra. vê esse resultado?


Carmita:
Observe que mais da metade dos médicos ouve. Eles são uns heróis! Parte dos médicos evita o assunto porque não sabe como fazer um diagnóstico pautado nas causas da dificuldade sexual. Às vezes, o paciente é diabético e tem uma disfunção sexual; é cardiopata, tem hipertensão ou está deprimido e gostaria de falar o quanto essas doenças afetaram o seu desempenho sexual, mas percebe que não existe clima favorável - não porque o médico seja moralista ou abstêmio, mas porque ele não sabe o que propor nem como investigar a questão. Temos outros estudos feitos com médicos em que eles apontam o quanto é complicado não ter o que fazer com a queixa do paciente. Uma das respostas que eles nos deram foi “não tenho tempo para trabalhar essa questão que vem carregada de angústia. O tempo da consulta é curto. Como posso ouvir e fazer algo efetivo?” Só uma minoria, em torno de 4 ou 5% dos colegas considera que “sexo não é assunto médico”.

Ser: As pesquisas sobre sexualidade como a sua revertem em políticas públicas ou ações de atenção e prevenção à saúde?
Carmita:
As pesquisas têm servido para trabalhos especialmente na área da educação. O Ministério da Saúde também faz pesquisa sobre a vida sexual do nosso povo e, assim como nós, detecta uma série de problemas, mas as ações apenas começam a ser propostas. A educação médica se beneficia das pesquisas: não deixamos nada a dever para nenhum país em termos de conhecimentos em sexualidade. Temos excelentes profissionais de várias formações: urologistas, ginecologistas, endocrinologistas, clínicos e psiquiatras e também o pessoal da Medicina Legal e Bioética que entende muito do assunto. Aprendemos bastante com as pesquisas e, quando voltamos a campo, temos esses conhecimentos incorporados para uma ação mais dirigida. Por exemplo, detectamos que o homem tem mais facilidade de falar da sexualidade sem a presença da parceira. Quando perguntamos por que, ele responde: “não quero criar expectativas nela”. Tivemos que abrir mão da idealização de conversar com o casal, para tratar o homem e a mulher de forma mais ágil, num primeiro momento. Talvez possamos trabalhar em conjunto em outro momento, quando a população estiver mais amadurecida, vinculando sexualidade à saúde.

Ser: O Brasil tem políticas para a sexualidade como uma questão de saúde?
Carmita:
Temos algumas políticas pontuais e restritas, porque em sexualidade o trabalho demanda muitas ações e as pessoas não são iguais. É preciso identificar os perfis para conseguir mudanças dentro de uma determinada cultura. Também há necessidade de se compreender a importância que o sexo tem como um veículo de mudança. Todo brasileiro quer fazer bom sexo. Bela oportunidade para instrumentalizar esse desejo como uma forma a mais de educação e saúde. Isto é melhor do que recitar regras. As regras não são adotadas quando não atingem emocionalmente as pessoas.

Ser: Nessa diversidade é possível detectar os problemas mais comuns?
Carmita:
Boa parcela das dificuldades sexuais advêm de preconceitos e tabus, então há uma parte educacional e cultural que representa fator de risco. Quanto mais instruídos o homem e a mulher, menor o risco de ter problemas sexuais. Os maus hábitos de vida levam às doenças. Comer demais, usar drogas, beber excessivamente, fumar, dormir pouco, viver estressado e ter vida sedentária são fatores de risco para doenças que levam às disfunções sexuais, como disfunção erétil, falta de desejo e dificuldade para o orgasmo. Porque são os maus hábitos que desencadeiam hipertensão, diabetes, dislipidemias e, em conseqüência, depressão. Depressão é um problema de saúde pública que chega a atingir 20% das mulheres e entre 10% e 12% dos homens. Pessoas deprimidas têm dificuldades sexuais. Por fim, as mudanças socioculturais que vêm acontecendo de forma muito rápida também são fatores de risco. Aqueles que hoje têm 50 anos são da geração da liberação sexual que passou pela Aids. Depois de ter uma vida sexual completamente aberta, tiveram que aprender a usar camisinha. Daí a dificuldade no uso de preservativo. Para os jovens a dificuldade também existe e está relacionada à falta de experiência e ao medo de falhar.

Ser: Quais são os distúrbios sexuais mais prevalentes?
Carmita:
Entre os homens, a disfunção erétil chega a atingir 45% dos brasileiros, sendo em diversos graus: 31% têm disfunção leve; 12%, moderada e 2%, completa. Dos homens na faixa dos 40 anos, um em cada 100 tem disfunção erétil completa; na faixa dos 70 anos, 12 a 13 em cada 100. É um número alto, especialmente porque as pessoas vão viver cada vez mais. E precisam viver com qualidade de vida. Não estamos falando de falha esporádica, mas quando ela se torna repetitiva. Se um homem teve boa ereção até os 40 anos e começa a falhar a partir dessa idade, pode estar iniciando diabetes, hipertensão, dislipidemia ou entrando em depressão, entre outras doenças. Ejaculação rápida é outra prevalente disfunção masculina. Entre as mulheres prevalece falta de orgasmo ou de desejo e dor à relação.

Ser: Como se chega ao diagnóstico de disfunção erétil?
Carmita:
Uma falha esporádica é natural e pode ocorrer com qualquer homem cansado, estressado ou triste por algum acontecimento. A dificuldade persistente ou recorrente para obter e/ou manter a ereção indica uma disfunção erétil. Essa incapacidade impede que o ato sexual se dê com satisfação. Há três tipos de disfunção erétil, assim classificadas quanto à origem: orgânica, psicogênica e mista. Considero que existem duas: a psicogênica e a mista. A orgânica acaba sendo mista. O homem que começa a falhar por ser portador de diabetes, por exemplo, terá com o tempo um fator emocional agregado e a disfunção não será mais só orgânica.

Ser: Qual é a sua abordagem médica?
Carmita:
Seja qual for a causa, a medicação atenua os sintomas e o indivíduo restabelece a auto-estima e auto-confiança, mas geralmente vai precisar de psicoterapia para que possa recuperar a ereção. Atualmente, é difícil não usar medicação, mesmo que a disfunção erétil seja exclusivamente psicogênica. Todo mundo quer resolver tudo ontem. Na maioria dos casos, costumo associar as duas abordagens. Mas, um diabético mais grave não vai se recuperar e terá de usar a medicação o resto da vida ou até colocar prótese - tratamento de terceira linha para disfunção erétil. Nesse caso também a psicoterapia é importante, porque ajuda a trabalhar a falência definitiva da função sexual, a busca e a aceitação de novas alternativas.

Ser: O que é fundamental para cuidar de pacientes com problemas sexuais?
Carmita:
A regra básica de nossa ação sobre o paciente que traz o problema é a isenção de preconceitos: ele tem o direito de fazer o sexo que gosta, desde que essa forma não seja lesiva a si, ao seu parceiro e à sociedade. A Sexologia Médica está pautada no respeito à individualidade e à sociedade. Não nos cabe a pretensão de normatizar o sexo.

Ser: O sexo seguro é algo que vem dos indivíduos, eles é que definem o grau de segurança, não é uma regra de saúde?
Carmita:
Ao falarmos para um casal que está casado há 20 ou 30 anos que eles têm que fazer sexo seguro, podemos estar sendo ofensivos. Isso precisa ser muito bem colocado. O casal pode responder, ou só pensar: “o que você está dizendo? Só temos relacionamento um com o outro”. Às vezes o médico fica sem entender porque esse casal nunca mais voltou ao seu consultório. Ocorre que, sem a mínima intenção, ele pode ter ferido a suscetibilidade do casal.

Ser: Na área da saúde da mulher, a sexualidade relacionada ao prazer aparece só para o psiquiatra?
Carmita:
Não, grande parte das mulheres procura o ginecologista para discutir, por exemplo, porque não tem orgasmo. O que mais incomoda às mulheres é a falta do tal do orgasmo. Todas elas querem ter. A mulher gostaria de terminar o ato sexual muito satisfeita e com prazer, de preferência intravaginal - elas têm esse nível de exigência! O orgasmo feminino virou assunto recorrente da mídia e se criou um mito que amarrou a questão. Enquanto o parceiro procura o tal ponto G, dentro da vagina dela, ele pode perder a ereção e o ato acabar sendo interrompido. Não devemos interferir desavisadamente na harmonia do casal. Tentar passar do bom para o ótimo, pode conduzir ao péssimo. O médico deve esclarecer e incentivar a mulher que está satisfeita com a forma como faz sexo, para não ficar buscando aquilo que leu - como se fosse a felicidade sexual que ela nunca provou - e que precisa encontrar a qualquer custo.

Ser: A relação sexo e paixão é diferente para homens e mulheres? O homem não tem paixão?
Carmita:
O homem tem paixão. As paixões masculinas podem ser avassaladoras, porque eles se envolvem por inteiro. Por diferenças de educação, a mulher teme mais a entrega, enquanto o homem resiste mais a se entregar. Quando a resistência cai, ambos “vão com tudo” para essa vivência que toma conta da vida, não só da relação. A paixão absorve as pessoas integralmente e as mulheres sentem-se mais sexualizadas quando estão apaixonadas. O homem se torna mais possessivo, sente-se mais vulnerável, mais necessitado de garantir a posse e tomado por um sentimento de dependência. O que caracteriza a paixão feminina é a entrega, a generosidade. No meu livro tenho um capítulo que se chama “Paixão, intimidade e compromisso”, onde explico que todos gostaríamos de viver um relacionamento no qual paixão, intimidade e compromisso ocorressem simultaneamente e assim se mantivessem. A paixão é algo que nos pega quando conhecemos alguém e nos envolvemos, projetando nesse alguém uma série de expectativas - que talvez ele nem possa realizar - como se fosse o depositário de tudo de bom que precisamos na vida. Com a chegada da intimidade, percebemos que a pessoa não é exatamente aquilo que projetamos e nos tornamos mutuamente cúmplices. A intimidade, portanto, faz com que a paixão se transforme em um outro tipo de sentimento, que pode ser amor ou decepção. Quando se chega à intimidade e se está muito à vontade, nessa altura geralmente a paixão já arrefeceu. Juntar paixão, intimidade e compromisso é algo que vamos sempre perseguir, sem conseguir alcançar.

Ser: No livro “Descobrimento Sexual do Brasil” a sra. também pretendeu falar para o povo?
Carmita:
Sim, tanto que o subtítulo é “para curiosos e estudiosos”. Não exclui os estudiosos, mas os curiosos podem conhecer o que é importante para sua sexualidade. Ao constatar que 30% ou 40% das pessoas têm o mesmo problema, percebem que não estão sozinhos e que há saídas. Acredito que todo professor universitário tenha a obrigação de devolver o que recebeu para a sociedade. Nossa formação foi feita às custas do que a sociedade ofereceu. Portanto, o conhecimento gerado dentro da universidade deve ser disponibilizado, além dos portões da Academia. É o mínimo que podemos fazer como retribuição a tudo que nós, privilegiados, recebemos, num país ainda pobre, no qual falar de sexo é importante, exatamente porque é a única forma de prazer que muitas pessoas têm. Então, que tenham do melhor modo possível e que a necessidade de ter prazer seja um gatilho para que essas pessoas reclamem por mais saúde e educação.

Ser: Como a sra. conceitua a pedofilia, faz o diagnóstico e qual é a abordagem?
Carmita:
Concordo com a Classificação Internacional de Doenças que coloca a pedofilia como um transtorno de preferência. Toda vez que o parceiro sexual escolhido não é um adulto humano vivo, há um transtorno de preferência. Para que seja considerado transtorno de preferência tem que ser a forma exclusiva dessa pessoa fazer sexo. Um pedófilo só consegue ter prazer e se realizar sexualmente com crianças. Entenda-se por criança alguém de até 12 anos. O homem que se relaciona com criança e com adulto não é pedófilo, é um sociopata que pratica abuso sexual, mas tem condição de fazer sexo com uma pessoa adulta. O pedófilo só se atrai por criança. É uma doença grave que não tem cura, só tem controle. Devemos nos dispor a tratá-lo pelo resto de sua vida, para salvaguardar a sociedade. Como médicos temos de fazer com que ele nos delegue o cerceamento dessa condição e, quem sabe, em alguns casos mais leves, seja possível corrigir, introduzindo uma outra alternativa sexual. É uma grande responsabilidade médica. Temos que formalizar os atendimentos e instituir diretrizes sobre como trabalhar com esses pacientes que representam 1% da população masculina, um número bem alto, e eles estão nos educandários, berçários, creches e centros de entretenimento infantil.

Ser: Qual é o tratamento?
Carmita:
Fazemos psicoterapia e tratamento com antidepressivos para diminuir a libido, a única forma de medicação permitida no Brasil. É o controle do paciente, de perto, com atendimento freqüente. Nessa abordagem - que pode ser uma, duas vezes por semana ou mais até, dependendo da gravidade do caso - o pedófilo é trabalhado no sentido de criar uma alternativa sexual para si. Essa alternativa pode ser a auto-erotização, por exemplo. A administração de antiandrógenos é uma castração química aceita em alguns países, mas no Brasil é proibida.

Ser: Dá para identificar uma origem comum para esses casos ?
Carmita:
Não há nada definitivo. Buscam-se “defeitos” estruturais cerebrais diversos, estrutura genética específica, mas não há um denominador comum. Hoje é considerado um desvio que deve ter uma base genética, favorecida pela educação e pelo meio permissivo. Alguns autores dizem que na história de vida desses homens há uma coincidência: abuso sexual sofrido na infância. Mas há muita dificuldade em se identificar se o abuso foi fantasiado ou realmente vivido. Alguém pode acreditar que sofreu abuso na infância e isso não ter acontecido. Uma criança pode considerar abuso ter sido acariciada. Para ela aquilo configurou um contato sexual.

Ser: A pedofilia não incide sobre mulheres?
Carmita:
É mais raro. Os transtornos de preferência sexual são eminentemente masculinos, mas a ocorrência em mulheres está aumentando, confirmando a influência psicossocial sobre a eclosão deste transtorno.

Ser: A reativação da sexualidade por medicamentos, na terceira idade, ajuda a superar outras doenças?
Carmita:
A Medicina acompanha as mudanças sociais, ao mesmo tempo em que as incorpora e tenta fazer frente aos novos desafios e necessidades de saúde e bem-estar da humanidade. A sexualidade é justamente um parâmetro de como temos que ampliar a nossa visão e tratar os pacientes, porque a qualidade de vida é algo de que eles não abrem mão. O advento dos medicamentos “pró-sexuais” fez homens e mulheres acordarem: todos correm atrás não só de uma vida sexual mais ativa, mas de saúde. É importante buscar soluções para a atividade sexual porque vamos viver muito mais tempo. Está na hora de viver esses anos da maturidade com saúde e satisfação. Há décadas atrás, por exemplo, a mulher morria pouco tempo depois de atingir a menopausa. Se ia morrer, para que se preocupar em manter qualquer atividade?

Ser: A sra. tem netos?
Carmita:
Não tenho netos. Uma de minhas filhas é casada e pretende terminar o doutorado para depois ter filhos. Diferente de mim, que me casei durante a faculdade e na Residência já era mãe. Veja como os conceitos mudam de uma geração para outra. Isso é ótimo! É evolução.


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