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Nesta edição


PÁGINAS 6,7,8,9,10 E 11
Entrevista


PÁGINAS 12 E 13
Crônica


PÁGINAS 14, 15, 16 E 17
Dossiê: Reprodução Assistida - História


PÁGINAS 18,19 E 20
Dossiê: Reprodução Assistida - Em foco


PÁGINAS 21 E 22
Dossiê: Reprodução Assistida- Vanguarda


PÁGINA 23
Dossiê: Reprodução Assistida - Repercussão


PÁGINAS 24, 25, 26, 27, 28, E 29
Dossiê: Reprodução Assistida- Debate


PÁGINAS 30 E 31
Tecnologia


PÁGINAS 32 E 33
Medicina no mundo


PÁGINAS 34 e 35
Opinião


PÁGINAS 36,37 E 38
Solidariedade


PÁGINAS 39,40,41 E 42
Turismo


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Agenda Cultural


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Resenha


PÁGINA 48
Fotopoesia


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Edição 87 - Abril/Maio/Junho de 2019

PÁGINAS 14, 15, 16 E 17

Dossiê: Reprodução Assistida - História

De Louise Brown ao inédito tranplante de útero de doadora falecida

Por Concília Ortona 

Em seu início, na não tão distante década de 1970, as técnicas de Reprodução Humana Assistida (RA) se limitavam a tratar a infertilidade de portadoras de obstrução tubária com idade superior a 30 anos, por meio de métodos como a fertilização in vitro (FIV) clássica. Ao buscar ajuda médica, Lesley Brown de Bristol, Inglaterra, foi galgada à história da área em 25 de julho de 1978, quando deu à luz Louise, o primeiro “bebê de proveta” no mundo. Durante nove anos, ela e o marido John tentaram a gravidez – não obtendo êxito nem com salpingostomia bilateral. Em 1976, procuraram o ginecologista Patrick Steptoe, do Hospital Geral de Oldham, Manchester, que sugeriu o uso de nova técnica, até então experimental. Havia 20 anos o fisiologista Robert Edwards, da Universidade de Cambridge, vinha estudando a fertilização de oócitos humanos em laboratório e se uniu a Steptoe, que desenvolveu um método de coleta dos gametas femininos por via laparoscópica. Assim, Lesley teve seus oócitos coletados cirurgicamente e fertilizados em laboratório, com o esperma de seu esposo John. O embrião de oito células foi, então, implantado na cavidade uterina de Lesley poucos dias após. Em 25 de julho de 1978, o Dr. Steptoe realizou o parto de Louise Brown, fato que ganhou as manchetes dos jornais de todo o mundo e deu início a um novo período
na Medicina. O trabalho de Steptoe e Edwards, no entanto, foi possível somente graças aos avanços no conhecimento sobre a fisiologia hormonal feminina e fertilização de gametas em laboratório obtidos nas décadas anteriores. Já em 1944, o ginecologista americano John Rock, da Universidade de Harvard, havia conseguido produzir o primeiro embrião humano em laboratório e publicou na revista Science, em conjunto com a geneticista Miriam Menkin, imagens do que considerou serem as primeiras divisões celulares de embriões humanos, os quais, contudo, nunca tentaram implantar em pacientes. Posteriormente, na década de 1960, hormônios então denominados gonadotrofinas menopáusicas humanas vinham sendo usados para estimular a ovulação em mulheres que tinham dificuldade de engravidar. O conhecimento que trouxe Louise Brown resultou no nascimento dos compatriotas Courtney Cross, em outubro de 1978, e Alaistair MacDonald, em fevereiro de 1979; antes, portanto, da chegada de Elizabeth Carr, em 1981, a primeira criança norte-americana concebida in vitro. Todas abriram caminho para a concepção de outros oito milhões de bebês pelas técnicas de RA, como estimou, em 2018, o International Committee Monitoring Assisted Reproductive Technologies (Icmart, EUA). Hoje o que parece um procedimento simples é, na verdade, um dos campos de maior destaque técnico da Medicina desde o fim do século passado, impulsionado por um feito pelo qual Edwards foi laureado com o Nobel de Fisiologia ou Medicina, em 2010. Steptoe não compartilhou a honraria por haver falecido em 1988 – e o Instituto Karolinska não concede o prêmio de forma póstuma.

ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

Desde a antiguidade, uma grande ansiedade quanto à propagação da raça e à própria sobrevivência acometia os homens. Egípcios, gregos e babilônios já vinculavam relações sexuais aos nascimentos e, por isso, discutiam a etiologia e possíveis tratamentos a casais incapazes de gerar filhos. Séculos se passaram até os cientistas
desenvolverem o processo de fertilização assistida, a fim de contornar obstáculos patológicos femininos e masculinos. Numa visão futurística, o escritor Aldous Huxley abordaria a FIV humana em seu livro de ficção Admirável Mundo Novo, de 1932, prevendo a possibilidade técnica e ideológica de criar “bebês engarrafados” em cerca de um século. Errou apenas na conta: a primeira gravidez com FIV foi informada em 1973 pelos australianos Carl Wood e John Leeton, mas culminou em aborto, uma semana depois. A Austrália foi precursora de vários fatos históricos em RA. Em 1983, nasceu a primeira criança a partir de embriões congelados na Monash University. No ano seguinte, uma mulher que havia sofrido ooforectomia bilateral engravidou com oócitos doados; e outra, com insuficiência ovariana primária, com embrião doado. Também em 1984, nasciam no Royal Women's Hospital, em Melbourne, os primeiros quadrigêmeos de FIV do mundo. 

REFERÊNCIA BIOÉTICA

A primeira referência bioética em RA foi lançada em 1984, quando médicos, biólogos, psicólogos e filósofos britânicos publicaram, com o aval da Autoridade de Fertilização Humana e Embriologia (HFEA), o Relatório Warnock (vindo da Baronesa Mary Warnock, chefe da comissão) e inovaram, ao propor a expansão do acesso em RA a solteiros e homossexuais. Discutiu ainda propostas sobre embriões excedentes, como a de doação e congelamento.

NOVOS AVANÇOS

Embora as técnicas iniciais de fertilização in vitro tenham possibilitado que muitas mulheres inférteis pudessem realizar o sonho da maternidade, ainda não contemplavam o tratamento de muitos casais inférteis, principalmente quando o problema tinha origem no homem, o chamado “fator masculino”. Em 1992, no entanto, nasceu a primeira criança concebida pela técnica de injeção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI). O método, desenvolvido pelo médico italiano Gianpiero D. Palermo, consiste na micromanipulação do gameta masculino, que é injetado no citoplasma do gameta feminino por meio de uma micropipeta. Desse modo, permite a fertilização também em casos em que os espermatozoides apresentam, por exemplo, alterações de motilidade
e morfologia. Agora rotina no diagnóstico de alterações genéticas e cromossômicas antes da inseminação, a biópsia pré-implantacional de embriões foi relatada em 1990, em Londres, por Handyside et al –mesmo ano da ocorrência de partos bem sucedidos em gestações cujos embriões haviam sido congelados por vitrificação. Ao longo das décadas agregaram-se outros conceitos importantes, como de hiperestimulação ovariana controlada, para gerar mais de um oócito por ciclo, e métodos para melhorar a qualidade do oócito em mulheres mais velhas. Finalmente, em 2014, aconteceu na Suécia o primeiro transplante bem sucedido de útero com doadoras vivas. Outras três gestações em meio às oito participantes da pesquisa foram anunciadas em 2015. Em setembro de 2016, ocorreu, no Brasil – conforme artigo publicado no The Lancet Journal em 2018 –, o primeiro nascimento de uma criança cuja gestação se deu em um útero transplantado a partir de doadora falecida, o que será abordado na matéria “Vanguarda” desta edição de Ser Médico.

PRIMEIROS PASSOS NO BRASIL

Influenciado pelo êxito de Edwards e, em especial, de Steptoe – com quem estabeleceu contato –, o médico paulista Milton Nakamura, falecido em 1998, iniciou suas próprias pesquisas sobre FIV no início dos anos 1980, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Com o apoio de colegas da Universidade de Melbourne, Austrália, selecionou dez mulheres com obstrução tubária e, em um hospital privado em São Paulo, realizou uma série de fertilizações in vitro. A coleta de óvulos por via laparoscópica foi promovida pelo médico, e o monitoramento da estimulação ovariana e  ertilização extracorpórea, pelo embriologista australiano, Alan Trouson, e o ginecologista italiano Luca Giannaroli. No entanto, o experimento foi interrompido e ganhou repercussão pública negativa, por conta de acidente anestésico e morte de uma das participantes, além de dúvidas relativas à decisão autônoma das voluntárias. Dois anos depois, o mesmo grupo retomou o projeto, e efetivou mais duas séries de FIV. Anna Paula Caldeira, o primeiro “bebê de proveta” da América Latina, nasceu em 7 de outubro de 1984, gerada por ovodoação. Aqui, vale uma ressalva: até sua morte em 2015, o ginecologista Nilson Donádio reivindicava para si o primeiro nascimento com o uso de FIV, resultado divulgado em congressos “meses antes de Nakamura”, não difundido em artigo científico devido a um “acordo de confidencialidade” com a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Outros fatos relevantes no Brasil incluem a aprovação da Lei de Biossegurança em 2005 – com a permissão para pesquisas com células-tronco embrionárias –; Resolução CFM Nº 2.013/2013 (substituída pela Resolução CFM Nº 2.168/17), que garante o direito de casais homossexuais ao uso de RA; no mesmo ano em que o País adotou a técnica de vitrificação para congelamento de embriões, que proporciona taxas de sobrevivência após o descongelamento de mais de 95%.


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