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PARECER Órgão: Conselho Regional de Medicina do Estado de S��o Paulo
Número: 61624 Data Emissão: 05-06-2007
Ementa: Uso de siglas e abreviaturas em prontuários

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Consulta nº 61.624/05

Assunto: Uso de siglas e abreviaturas em prontuários e se existem normas para uso.

Relator: Conselheiro José Marques Filho.

Ementa: O uso de abreviaturas e/ou siglas é de uso corrente na prática médica, pode ser utilizado na confecção de prontuários, entretanto, deve-se preferir escrever por extenso as anotações médicas.

A presente Consulta foi enviada a este Regional por médica presidente de Comissão de Ética Médica, solicitando parecer em relação a seguinte questão:

"Em discussão sobre prontuário médico com a equipe multiprofissional deste serviço, surgiu a questão das abreviaturas de palavras ou diagnóstico. Estas abreviações ou siglas variam conforme as escolas onde os profissionais se formaram, além disso, temos tanto em instituição pública como nas privadas, um tempo estabelecido para cada consulta, e cada uma deve ser relatada da melhor forma possível e no menor tempo, sem prejuízo da informação.

Solicitamos maiores informações. As siglas e abreviações são permitidas? Existem normas para usá-las?"

PARECER

O assunto levantado pela médica consulente, apesar de sua extraordinária importância, não tem sido abordado ou normatizado em publicações brasileiras. A importância do assunto se deve à freqüência com que as abreviações e/ou siglas são utilizadas na área da saúde, tanto do ponto de vista informal, quanto do ponto de vista formal, em publicações e/ou documentos médicos. Inexistem, s.m.j., normas brasileiras balizando a utilização de abreviaturas e/ou siglas na área de documentação médica.

No entanto, dada a importância do assunto trazido à discussão, alguns parâmetros devem ser discutidos à luz da literatura atual.

É do conhecimento geral que o uso de abreviações ou siglas é de uso corrente no preenchimento de prontuários e diversos documentos médicos. Esta prática tem a grande vantagem de imprimir rapidez aos relatórios médicos, tornando-os mais completos e com documentos médicos com maior número de informações essenciais. Por outro lado, não existindo padronização e normas rígidas, o uso regional, institucional e mesmo individual de determinadas abreviações torna absolutamente impossível decifrar-se documentos e/ou prontuários médicos em determinadas oportunidades.

Só para citar alguns exemplos, todos os médicos de São Paulo até alguns anos atrás, saberiam que GECA significava Gastroenterocolite aguda, porém atualmente os médicos mais jovens, diante do mesmo quadro, fazem a hipótese diagnóstica de DDA, Doença Diarréica Aguda. Este exemplo adiciona mais uma variável ao problema: a variação das siglas ou abreviações no tempo.

Segundo Ariza (1), um dos recursos lingüísticos mais característicos e recorrentes da linguagem das ciências da saúde são as siglas. Refere que, a antiguidade das siglas, enquanto referência as letras iniciais das palavras, vêm desde o império romano, e desde então este fenômeno lingüístico tem estado presente em todas as línguas e em todos os períodos.

Afirma ainda Ariza (1), que já Hipócrates e Galeno utilizavam formas abreviadas em seus casos estudados e descritos, citando que D (delta) equivalia a diarréia e T a tokos (nascimento) etc.

Com respeito a linguagem da ciência da saúde, esta tem, igual a toda linguagem técnico-científica, o objetivo de transmitir a maior quantidade de informação com o mínimo de palavras.

Laguna e Cuñat (2) descrevem três grandes grupos:

1- Abreviações - é a representação de uma palavra ou das palavras de uma frase por alguma ou algumas de suas letras, sendo que a primeira letra sempre á a inicial da palavra abreviada (ex. anat., por anatomia).

2- Siglas - É um caso particular de abreviação por suspensão. Se forma com as letras iniciais das palavras (ex. CTI - Centro de Terapia Intensiva). São escritas em maiúsculo.

3- Símbolos - São abreviações que respondem a uma convenção internacional estabelecida por organismos competentes. (ex. mm - milímetros e Na - Sódio.) (2)

Existem regras formais para utilizações de abreviaturas, siglas e símbolos. Em nosso meio existe uma publicação de autoria do médico Olympio Barbante (3) com o título de "Dicionário de siglas médicas", onde o autor faz um trabalho elogiável de coligir as siglas médicas mais utilizadas em nosso território tanto em publicações médicas quanto na prática médica.

Por outro lado, a ABTN (Associação Brasileira de Normas Técnicas) publicou desde 1989 e vigente até hoje as normas de abreviações de títulos e periódicos e publicações seriadas, onde inclui uma "lista brasileira de abreviaturas para utilização em publicações científicas".

Finalizando este parecer, gostaríamos de destacar que o assunto aqui discutido merece uma melhor discussão para que se possa no futuro definir regras padronizadas para todo o território nacional.

No momento atual pode-se afirmar que o uso de abreviaturas e/ou siglas é de uso corrente na prática médica, pode ser utilizado na confecção de prontuários, entretanto, deve-se preferir escrever por extenso as anotações médicas, evitando-se o uso freqüente das abreviaturas ou siglas, evitando-se situações que remetam a erro de interpretação e suas conseqüências.

Este é o nosso parecer, s.m.j.


Conselheiro José Marques Filho



APROVADO NA 3.358ª REUNIÃO PLENÁRIA, REALIZADA EM 09.09.2005.
HOMOLOGADO NA 3.361ª REUNIÃO PLENÁRIA, REALIZADA EM 13.09.2005.

Referências bibliográficas

(1) Ariza MAA. Las siglas Del Discurso Biomédico escrito en inglês: Analisys y aplicaciones didacticas. The Esp 2003; 23 (1); 37-51

(2) Laguna JY, Cunãt VA. Dicionário de siglas médicas. Ministério de Sanidad y consumo, Madri, 2003.

(3) Olympio Barbante. Dicionário de siglas médicas, Ed. Maitiry Editora, São Paulo, 1995.

(4) ABTN (Associação Brasileira de Normas Técnicas - NBR 6032): Abreviações de títulos de periódicos e publicações seriadas. Rio de Janeiro, 1989.

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