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    27-05-2019

    Formação médica

    Saúde mental de estudantes de Medicina e médicos residentes é tema de palestras e discussões em reunião da Abem

    Os dados crescentes sobre desistência da carreira, burnout (aumento do estresse ocupacional), tentativa e concretização de suicídio têm sido foco de preocupação por parte dos alunos, residentes e docentes, e também do Cremesp, que apresentou a temática em recente edição da revista Ser Médico. A saúde mental do estudante de Medicina e do médico residente também foi alvo de discussão na I Reunião Regional da Associação Brasileira de Estudantes de Medicina (Abem) da região de São Paulo, na Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), no dia 25 de maio. 

    Diferentes aspectos e visões foram abordados em palestras ministradas por Edoardo Vattimo, psiquiatra e coordenador de Comunicação do Cremesp; Ubiratan Cardinalli Adler, médico e coordenador do curso de Medicina da Ufscar; Lívia Ciaramello Vieira, médica residente em Psiquiatria e representante da Associação dos Médicos Residentes da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paullo (Amerusp); e Lucas Cleto de Oliveira, estudante de Medicina da Ufscar. 

    Residentes
    Durante sua palestra, Vattimo mencionou um estudo publicado na Revista Brasileira de Educação Médica, em 2010, que revelou que 32,1% dos médicos residentes brasileiros apresentavam exaustão emocional; 11% despersonalização (entendida como a mudança nas características intrínsecas da personalidade do indivíduo); e 33,9%, reduzida sensação de realização pessoal. Uma metanálise publicada no Journal of the American Medical Association (JAMA), em 2015, demonstrou que 28,8% dos médicos residentes no mundo possuem prevalência de depressão e 15,8% têm aumento mediano após o início da residência. E mais: 76% deles demonstram sintomas de burnout, principalmente alta exaustão emocional e despersonalização, e 43%, privação de sono, além de piora da função cognitiva após plantões.

    Suicídio
    Vattimo enfatizou que o suicídio não acontece apenas com quem tem predisposição ou quem sofre ação de fatores estressores. “A vulnerabilidade biológica, aliada a fatores contributivos (estresse emocional), pode levar a um desequilíbrio fisiológico. E quando o volume de estresse – relacionado ao curso, assédio moral, auto-medicação, suscetibilidade biológica, uso de drogas e ciclo de sono-vigília inadequado – é superior à resiliência – representada por suporte famíliar e de amigos, espiritualidade, recursos institucionais, hobbies, exercício físico e fatores biológicos –, há uma tendência maior para depressão, ansiedade, uso de álcool e drogas, distúrbios alimentares e suicídio”, afirmou. Ele também destacou a importância da elaboração do diagnóstico de saúde mental baseado em ciência e não em julgamento. 

    Vattimo em apresentação sobre o médico jovem brasileiro

    Se por um lado os índices de suicídio diminuem no mundo, no Brasil cresce até 24% entre adolescentes. E, embora haja prevalências similares de transtornos afetivos, os médicos completam mais o suicídio que a população em geral. O risco relativo de suicídio entre homens médicos em comparação com a população em geral é de 1,41; já entre as médicas, atinge 2,27.

    Há que se considerar uma piora nas condições de trabalho e da qualidade de vida, distanciamento da relação médico-paciente, um quantitativo de profissionais maior – crescimento de 733% em janeiro de 2018 em relação aos 58.994 registrados em 1970 – e aumento do contingente de médicos com menos de 40 anos (43,9%). A Abem promove o Projeto Nacional de Promoção de Saúde e de Prevenção do Suicídio entre os estudantes de Medicina Brasileiros, no espectro do Fórum Nacional de Serviços de Apoio ao Estudante de Medicina (Forsa), visando manter o foco sobre a questão.

    Nos Estados Unidos, 400 médicos cometem suicídio por ano, ou seja, um profissional se suicida por dia, taxa duas vezes superior à da população em geral. As médicas tentam menos o suicídio, mas o índice de profissionais que o concretiza é 227% maior que o das não médicas (41% maiores entre os médicos, comparados a não-médicos).

    Transtornos do Humor
    Vattimo chamou a atenção para os índices que apontam que mais de 90% dos pacientes que tentam suicídio e 95% dos que consumam o ato têm transtorno psiquiátrico, especialmente transtornos afetivos, como depressão maior e transtorno afetivo bipolar. Dentre os indivíduos com depressão grave, cerca de 15% cometem suicídio. Ele também destacou o fato de que nem todos os quadros depressivos são unipolares e, muitas vezes, alguns pertencentes ao espectro bipolar são erroneamente diagnosticados como unipolares. Quanto estes casos são medicados unicamente com antidepressivos e estimulantes, há o risco de instabilizaçãoadicional do humor e aumento de impulsividade e tentativas de suicídio. E mencionou ainda estudos que apontam sinais de alerta para bipolaridade, incluindo idade de início mais precoce do episódio depressivo, que corresponde à faixa etária de estudantes e médicos residentes. Concluiu reforçando a necessidade de um diagnóstico correto e o combate ao estigma que ainda ronda o Transtorno Afetivo Bipolar.

    “O cenário negativo atual que caracteriza a saúde mental do médico só poderá ser mudado quando medidas preventivas e assistenciais forem implementadas. Sua efetividade, no entanto, só será real se os conceitos falsos – como o de que o médico deve ser psiquicamente inabalável – e o estigma associado aos transtornos psiquiátricos ficarem no passado. Mudar essa realidade é uma missão de cada um de nós, de forma que consigamos entender que médicos também estão sujeitos ao adoecimento psíquico e, como com qualquer outra doença, devemos buscar tratamento”, disse o conselheiro do Cremesp. 

    Estudantes
    Vattimo apontou uma metanálise brasileira com estudantes de Medicina que demonstrou que 30,6% manifestam sintomas compatíveis com depressão; 32,9%, transtornos de ansiedade; 49,9%, taxas de estresse patológico; e 13,1%, síndrome deburnout; 51,5% têm qualidade do sono ruim; 46,1% sofrem de sonolência diurna excessiva; e 32,9% apresentam prejuízos pessoais por consumo excessivo de álcool. Já 17% das estudantes do sexo feminino e 2,6% do sexo masculino têm sintomas de transtornos alimentares.

       

    Além da mesa de discussões, o debate também contou com a participação do público

    Uma metanálise com estudantes em 43 países revelou depressão em 27,2% deles, com aumento absoluto médio dos sintomas depressivos de 13,5% ao longo da formação médica. A prevalência acumulada de ideação suicida foi de 11,1% ao longo do curso, isto é, em algum momento da faculdade, um em cada nove estudantes de Medicina terá algum pensamento de tirar a própria vida.

    Adler, coordenador do curso de Medicina da Ufscar, observou que o estresse no aprendizado é algo muito específico da formação médica. Para Oliveira, estudante de Medicina, “a frustação do adiamento do contato com o paciente, a naturalização do sofrimento e a falta de tempo para o lazer são estressores que contribuem para os quadros de depressão, ansiedade e uso de álcool e drogas”, comentou. “Nosso desafio é atuar para que o sofrimento não se torne patológico e acabe nos limitando”, afirmou a representante da Amerusp.

    Assédio moral
    Cerca de 60% dos estudantes de Medicina e dos médicos residentes de diversos países já sofreu algum tipo de assédio moral, de acordo com 57 estudos sobre o tema. Nesse público, há maior prevalência de depressão e burnout, baixa auto-estima e ideação suicida, além de abuso de álcool, em especial binge drinking (consumo excessivo em pouco tempo)Essa situação ocasiona impacto na assistência médica à população, na medida em que médicos residentes que sofreram assédio cometem mais erros.

    Preocupado com este cenário, o Cremesp editou o recém-lançado livro Assédio Moral na Formação Médica: conscientizar para combater, que foi distribuído aos presentes ao evento.

     

    Fotos: Osmar Bustos


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