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Inauguramos 2014. Este será um ano particularmente importante na vida dos brasileiros. Não apenas pela Copa do Mundo que, por certo, irá paralisar o País logo depois do Carnaval e da Semana Santa. Neste tempo, especialmente em maio e junho, a brasilidade será assumida com todas as forças, e o Brasil se vestirá de verde e amarelo. Não importa muito se há ou não emprego — temos o “salário desemprego” para estas situações emergenciais. Mais uns meses e teremos eleições gerais: presidente, governadores, senadores, deputados. Se ganharmos a Copa, ninguém vai se preocupar muito com esta história. Se perdermos, é certo que existirão culpados...
Neste País de soluções simplistas para problemas complexos, teremos a oportunidade de decidir que caminhos escolheremos para o nosso futuro. Esta decisão está em nossas mãos. A democracia, gostemos ou não, confere ao povo o poder de escolher quem lhes pode representar e governar. Queremos um Brasil cujos governantes propõem que se tornem mais fáceis as provas do Revalida, se o índice de aprovação é baixo? Que se importem médicos estrangeiros aos milhares, se não são dadas condições de levar médicos formados no Brasil para postos de trabalho mais periféricos e de difícil provimento, ao invés de construir uma carreira pública que os motive? Que se estabeleçam cotas para ingresso nas faculdades, para os jovens que não tiveram oportunidades de receber ensino de qualidade, no lugar de investir na escola pública, valorizando os professores e oferecendo métodos pedagógicos mais eficientes? Que se ofereçam toda sorte de bolsas, subvenções e benefícios, e não eduquem o seu povo e criem cursos profissionalizantes? Queremos governantes que se aliem a corruptos, transformando esta prática em padrão de postura aceitável na vida pública nacional, desejando fomentar a cultura do oportunismo e da safadeza moral?
Penso que as pessoas de bem – e, especialmente os médicos, que zelam pela vida das pessoas e que têm sido tão desvalorizados ao longo dos anos – precisam tomar posições políticas firmes e compartilhá-las. Precisamos ser agentes modificadores do comportamento subserviente e complacente. Temos que nos posicionar em defesa dos valores da sociedade que queremos.
Haverá ainda, neste ano, eleições para nossas associações e Conselho Federal de Medicina. Também nestas instituições temos de ser dignamente representados por pessoas qualificadas e comprometidas com valores éticos e morais e história de lutas pela classe e pela sociedade. O Brasil precisa mudar para melhor. Especialmente nossa classe precisa de maior reconhecimento e que nosso trabalho seja mais valorizado. Para que isso aconteça, cada um de nós deve assumir sua parcela de responsabilidade perante si mesmo, com seus pares e com a cidadania.
Renato Françoso Filho, conselheiro do Cremesp, é o representante suplente do Estado de São Paulo no Conselho Federal de Medicina
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