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18-05-2012 |
Dependência química |
Debate estimulou a reflexão sobre a abordagem profissional frente a usuários de substâncias psicoativas |
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Para refletir sobre a complexidade do atendimento e as diferentes possibilidades de abordagem do médico frente a usuários e dependentes de substâncias psicoativas, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) promoveu, nos dias 18 e 19 de maio, um grande debate com a participação de diversos especialistas na área, sob a coordenação dos psiquiatras Mauro Aranha, vice-presidente do Cremesp, e de Hamer Palhares Alves, da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad). Na abertura do evento, Aranha – também representando o presidente da Casa, Renato Azevedo Júnior – agradeceu a colaboração da Uniad e do Inpad (Instituto Nacional de Políticas Públicas sobre Álcool e Drogas) na ajuda ao médico dependente que, por meio de programas de reabilitação gratuitos oferecidos há mais de dez anos, tem possibilitado a reabilitação de muitos médicos. Na sexta-feira, Ronaldo Laranjeira, diretor da Uniad/Unifesp, iniciou sua aula magna Introdução à Clínica de Dependência: como eu trato? destacando a importância do apoio institucional do Cremesp a campanhas como a do uso abusivo de álcool no trânsito e também na oferta de cursos para a reciclagem profissional dos médicos. O psiquiatra apresentou sua experiência no atendimento aos dependentes químicos, lembrando que a essa é uma área relativamente nova no Brasil e, por isso, ainda não possui uma clínica muito definida e que, pelas suas próprias características, possui uma complexidade atípica. “Existe um vácuo de conhecimento para atender ao aumento de demanda nesse tipo de atendimento, decorrente do crescimento do consumo de drogas, e a formação não acompanhou esse fenômeno,” alertou. Para Laranjeira, uma estratégia importante na abordagem ao paciente é procurar situar o uso de substâncias dentro do contexto de desenvolvimento da pessoa. “É preciso traçar a história da linha da vida do paciente para obter um perfil dos fatores ambientais de proteção e de risco para aquela pessoa. Segundo ele, “nos primeiros dez anos, deve-se avaliar o tipo de exposição do paciente à droga, seguindo pela adolescência, quando começa a fase de experimentação e os fatores de risco são predominantes”, orienta. Ele também considera necessário avaliar as relações familiares e de amizades, levando o paciente, nesse passo a passo, a entender como a droga começou a impactar sua saúde, rede social e desenvolvimento acadêmico. “Numa família em que há uma mensagem clara de não favorecimento ao uso de álcool e drogas, existe um fator de proteção. Se a família for muito disfuncional e não houver sintonia fina com os filhos, ela se transforma em fator de risco.” Outro fator importante no atendimento ao dependente é observar a manifestação de algum tipo de comorbidade. “Na história do indivíduo, é preciso buscar algum tipo de distúrbio psiquiátrico, tais como depressão e transtorno afetivo bipolar, verificando se ocorreu antes ou depois do uso da substância.” Laranjeira acredita que o uso de drogas altera as funções cerebrais, por isso o médico deve avaliar se houve algum dano cognitivo do paciente. “A dificuldade em se manter o tratamento não é só motivacional, pode implicar também algum tipo de dano cerebral. Nesses casos, para que o tratamento seja melhor estruturado, é necessário fazer uma reabilitação neurocognitiva, com exercícios para melhorar a memória e as funções executivas.” Ele acrescentou que, dentro do tratamento, que inclui diagnóstico e medicação para estabilizar o dependente, é necessário avaliar o seu capital de recuperação, que é um processo mais longo, pois implica recuperar as funções sociais e familiares. “Dentro do plano de tratamento, elejo, por opção, que o melhor para o paciente é a abstinência e não a redução de danos, pois não consigo ver a estabilização do quadro psiquiátrico com essa orientação. Para se buscar o capital de recuperação, a pessoa tem de se dispor a ficar em abstinência.” No sábado, foram proferidas mais 3 aulas magnas: Florence Kerr-Correa, professora titular de psiquiatria do departamento de Neurologia, Psicologia e Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Unesp, discorreu sobre Os princípios fundamentais do tratamento efetivo da dependência de substâncias; Guilherme Messas, presidente da Sociedade Brasileira de Psicopatologia Fenômeno-Estrutural, falou sobre Compreensão psicopatológica do Dependente; e Marcelo Ribeiro, membro titular do conselho gestor da Uniad, palestrou sobre Cocaína e Crack: Histórico, Aspectos epidemiológicos, Farmacologia, Síndrome de Abstinência. Outras palestras compuseram a programação do evento, proferidas por profissionais especialmente convidados para o encontro, dentre eles, Zila Sanchez (Epidemiologia do consumo de álcool, tabaco e outras drogas); Lilian Ratto (O que é dependência química? Conceitos fundamentais: Síndrome de Dependência, Uso Nocivo, Intoxicação e Síndrome de Abstinência); Daniel Sócrates (Abordagem geral do usuário de substâncias psicoativas: como fazer uma entrevista inicial?); Alessandra Diehl (Álcool - Aspectos Farmacológicos Efeitos agudos e crônicos do consumo); Régis Barros (Álcool - Tratamento I – Síndrome de Abstinência); Lygia Merini (Álcool - Tratamento II – Tratamento da Síndrome de Dependência); Hamer Palhares (Benzodiazepínicos - Dependência e Tratamento); Renata Azevedo (Tabagismo I - Histórico, Aspectos epidemiológicos, Farmacologia, Síndrome de Abstinência, Tratamento Farmacológico e motivacional do tabagista); Daniel Cordeiro (Dependência Química na Sala de Urgência - As situações mais comuns e seu manejo); Cláudio Jerônimo (Gerenciamento de Caso); e Neliana Figlie (Abordagem motivacional do dependente de substâncias). |







