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Nesta Edição
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CAPA

EDITORIAL (pág.2)
Renato Azevedo Júnior, presidente do Cremesp


ENTREVISTA (pág.3)
Glória Maria Santos Pereira Lima


REGULAMENTAÇÃO DA MEDICINA (pág. 4)
PLS 268/2002


SAÚDE SUPLEMENTAR (pág. 5)
Luta por reajuste de honorários continuará em 2013


CONQUISTA (pág. 6)
PL-39/2012 segue para sanção de Geraldo Alckmin


DEMOGRAFIA MÉDICA (pág. 7)
Estudo mostra desigualdades na distribuição de médicos em SP


ENSINO MÉDICO (pág. 8)
Exame do Cremesp


PLENÁRIA TEMÁTICA (pág.10)
Cannabis sativa


DIRETIVAS ANTECIPADAS (pág. 11)
Resolução 1995/2012: autonomia do paciente


COLUNA CFM (pág.12)
Artigos dos representantes do Estado de São Paulo no Conselho Federal


AGENDA DA PRESIDÊNCIA (pág.13)
Participação do Cremesp em eventos relevantes para a classe


CREMESP (pág.15)
Contribuição 2013


BIOÉTICA (pág.16)
Desvio de conduta


GALERIA DE FOTOS



Edição 299 - 12/2012

ENSINO MÉDICO (pág. 8)

Exame do Cremesp


54,5% dos recém-formados em Medicina foram reprovados no Exame do Cremesp


Luna e Azevedo durante coletiva de imprensa em que foram apresentados os resultados do Exame

Na oitava edição do Exame do Cremesp – e primeira vez em que a participação na prova é obrigatória para a obtenção do registro profissional —, 54,5% dos 2.411 recém-formados em Medicina no Estado de São Paulo foram considerados reprovados. Eles acertaram menos que 60% das 120 questões propostas, ou seja, abaixo de 71 respostas corretas. O Exame, realizado no dia 11 de novembro, contou com a presença de 2.525 egressos das 28 escolas médicas paulistas que funcionam há mais de seis anos. Desses, 114 tiveram suas provas invalidadas. Os resultados foram divulgados durante coletiva de imprensa, em 6 de dezembro.

No total, 2.943 recém-formados se inscreveram no Exame do Cremesp. Desses, 71 (2,5%) não compareceram e apresentaram justificativa posteriormente. Dos 2.872 presentes, 119 (4,2%) tiveram suas provas invalidadas (114 de São Paulo e cinco de outros Estados) – sendo que 86 boicotaram o exame, assinalando letra “b” em todas as questões, e 33 apresentaram provas com outros padrões de respostas inconsistentes.

Renato Azevedo Júnior, presidente do Conselho, declarou que 80% dos boicotes foram de alunos de escolas públicas. Ele agradeceu aos recém-formados que compreenderam o alcance da iniciativa do Cremesp e lamentou que o primeiro ato de alguns novos médicos tenha sido a resistência em participar da avaliação.

Também compareceram ao Exame, recém-formados de 51 diferentes cursos de Medicina de outros Estados (347, do total de 2.872 presentes). Como irão se registrar no Cremesp e atuar no Estado de São Paulo, eles também fizeram a prova. O objetivo principal do Exame do Cremesp obrigatório é avaliar o ensino médico no Estado de São Paulo. Por isso, para alguns resultados, não foram considerados os participantes formados em outros Estados.

Quadro 1
Participantes aprovados e reprovados no Exame do Cremesp 2012*

ParticipantesNúmero** AprovadosReprovados % reprovação
Formados em escolas médicas do Estado de São Paulo 2.4111.098 1.313 54,5%

 * Não foram considerados os participantes formados em escolas médicas fora de São Paulo
** Provas válidas

Fonte: Cremesp/Fundação Carlos Chagas



Exame é obrigatório a partir de 2012

O Exame se tornou obrigatório por meio da Resolução Cremesp nº 239, de 25/07/2012. O comprovante de participação na prova será exigido para o registro profissional do médico no Estado de São Paulo a todos os formados em 2012. Mas o registro não dependerá do desempenho ou da aprovação no Exame.

O Cremesp não pode condicionar o registro à aprovação em um exame. Isso exigiria uma lei federal (como a que instituiu o Exame da OAB), o que está em tramitação no Congresso Nacional.

Os inscritos que faltaram ao Exame do Cre¬mesp, apresentaram justificativa e receberam o registro profissional (CRM), mas assinaram termo de compromisso se responsabilizando em fazer a avaliação em 2013.

As notas individuais serão encaminhadas confidencialmente a cada participante. As escolas médicas terão um relatório pormenorizado do desempenho de seus alunos por área do conhecimento, preservando a identidade dos formandos. Também receberão relatório sobre o Exame do Cre¬mesp os Ministérios da Educação e da Saúde, o Conselho Federal de Medicina, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal.

Repercussão nacional
O Exame do Cremesp tem recebido grande repercussão nacional nos meios de comunicação. Além de destacar o alto índice de reprovação, jornais, rádio, TV e sites na Internet deram espaço em programas ao vivo, editoriais, artigos de opinião e debates. Com isso o Cremesp alcançou um dos objetivos do exame: mobilizar a opinião pública sobre as deficiências do ensino médico e sobre a necessidade de uma avaliação externa ao final do curso de medicina.

Desempenho foi baixo em áreas básicas da Medicina
O desempenho dos participantes pode ser medido conforme áreas do conhecimento médico (Quadro 2). Abaixo de 60% de acertos, o resultado por área de conhecimento é considerado insatisfatório pelo Cremesp.

O Exame do Cremesp de 2012 demonstra que há deficiências na formação dos estudantes em campos essenciais do conhecimento médico. Chamou a atenção o baixo índice de acertos em Saúde Mental (média de 41% de acertos), Saúde Pública (46,1%), Clínica Médica (53,1%) e Ginecologia (55,4%).

A prova contou com 120 questões objetivas de múltipla escolha que abrangem problemas comuns da prática médica, de diagnóstico, tratamento e outras situações, em nove áreas: Clínica Médica, Clínica Cirúrgica, Pediatria, Ginecologia, Obstetrícia, Saúde Mental, Epidemiologia, Ciências Básicas e Bioética.  O exame foi aplicado pela Fundação Carlos Chagas.

Considerando as 2.753 provas válidas, a média (percentual de acertos da prova) foi maior entre os cursos públicos de Medicina (63,74 %), quando comparados com os participantes oriundos de instituições privadas (54,38 %).


Quadro 2
Áreas de conhecimento e médias de acertos*

Áreas de conhecimento 
Médias (% de acertos)
Saúde Mental 41,0
Saúde Pública 46,0
Clínica Médica53,1
Pediatria55,3
Ginecologia55,4
Ciências Básicas61,0
Obstetrícia63,1
Clínica Cirúrgica66,7
Bioética66,9

*Foram consideradas 2.753 provas válidas

Fonte: Cremesp/Fundação Carlos Chagas


Sete anos de participação voluntária

O Exame do Cremesp foi facultativo de 2005 a 2011. Dos 4.821 formandos que participaram nesses sete anos, 2.250 (46,6%) foram reprovados por acertarem menos de 60% das questões (Quadro 3). Excluindo os dois primeiros anos, fase experimental, 3.135 candidatos participaram da prova de 2007 a 2011, com 1.832 reprovações (58,4%).

A série de 2005 a 2011 é uma amostra composta de participantes voluntários, com distribuição irregular entre os cursos de Medicina. Agora obrigatório, o Exame alcança todo o universo de recém-formados que irá se registrar no Cremesp. Ou seja, as bases analisadas são distintas.


Quadro 3
Participantes e índice de reprovação do Exame do Cremesp – 2005 a 2011

Ano do Exame Participantes Reprovados

Reprovação (%)

201141819146
201053322743
200962134556
200873044761
200783346656
2006 68826138
200599831332

                                                                                                      
                                                       
 Fonte: Cremesp/Fundação Carlos Chagas



CFM defende autonomia do Cremesp na criação do Exame

Diante da reprovação de 54,5% dos participantes do Exame do Cremesp, Ro¬berto d’Avila, presidente do CFM, afirmou que há que se fazer uma avaliação dos alunos de Medicina, defendendo a autonomia do Cremesp em realizar a prova. No entanto, apontou que não há consenso entre os CRMs sobre a metodologia.

“Precisamos debater mais entre os CRMs sobre a obrigatoriedade da prova porque não estamos convencidos de que um exame de ordem estabelecido por lei irá melhorar a qualidade do ensino ou deter a abertura desenfreada de escolas médicas”, declarou. d’Avila esteve presente na plenária do Cremesp, no dia 4 de dezembro, quando foram apresentados os resultados a diretores e conselheiros da Casa.

O CFM defende um exame de progresso, com prova prática incluída e avaliação do sistema formador. Renato Azevedo Júnior, presidente do Cremesp, esclareceu que este Conselho não é contra o exame de progresso, mas acredita que sua realização é de competência das escolas ou do MEC.

Exame do Cremesp é instrumento relevante, diz CFM em nota oficial

Tendo em vista a realização do exame de fim de curso, patrocinado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), cujos resultados foram divulgados nesta quarta-feira (5), o Conselho Federal de Medicina (CFM) esclarece que:
1. A iniciativa do Cremesp configura instrumento metodológico relevante para mensurar - de forma quantitativa - o nível do conhecimento obtido pelos egressos das escolas de medicina;
2. Infelizmente, os resultados alcançados confirmam a suposição de que a qualidade da formação oferecida está abaixo do desejável, realidade constatada em São Paulo e que acreditamos é a mesma em todos os Estados;
3. Como modelo ideal de avaliação do egresso, o CFM apoia a implementação no país de uma metodologia conhecida como teste de progresso, que prevê, entre outros pontos, a realização de exames no fim do segundo, do quarto e do sexto período, sempre com a preocupação de avaliar, simultaneamente, alunos, corpo docente, conteúdo pedagógico e até as instalações das instituições de ensino;
4. No entanto, a melhora do nível do ensino médico não se esgota em avaliações semelhantes, mas na adoção de políticas públicas que impeçam a abertura de indiscriminada de cursos de medicina e o aumento do número de vagas naqueles já existentes.
5. Atualmente, o Brasil possui 208 cursos médicos. No mundo, apenas a Índia, com 272 cursos e uma população seis vezes maior que a brasileira, possui mais.
6. Este quadro não condiz com as preocupações humanitárias e sociais pertinentes à Saúde e à Medicina, pois atendem, principalmente, aos interesses econômicos e políticos de alguns setores da sociedade.
7. O Governo – em todas as suas esferas – deve estar atento a esta realidade e apresentar propostas que contribuam para a qualificação dos cursos de medicina no país, demonstrando real preocupação com a população que conta com médicos bem preparados para manter sua saúde e seu bem-estar.

Para o CFM, o Brasil precisa urgentemente de médicos bem formados, bem qualificados, bem capacitados e com plenas condições de fazer aquilo para o que se prepararam, assim como de políticas públicas – como a criação de uma carreira de Estado para o médico do SUS - que estimulem sua melhor distribuição e fixação nas áreas de difícil provimento, garantindo a cobertura dos vazios assistenciais.

Conselho Federal de Medicina
Brasília,
7 de dezembro de 2012


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