É o que afirma uma pesquisa, inédita, realizada pela Secretaria de Estado da Saúde depois de acompanhar 378 meninas entre agosto de 1997 e fevereiro deste ano em São Paulo. O estudo mostrou que a maioria das mães adolescentes paulistas engravida de homens adultos.
Acompanhe as principais conclusões:
- em 64,2% dos casos de gravidez precoce, os parceiros das adolescentes eram maiores de 21 anos
- 59,7% deles tinham entre 21 e 30 anos
- 4,5% dos homens possuíam entre 31 e 48 anos
- jovens entre 18 a 20 anos representaram 28,8% do total e aqueles entre 15 a 17 anos, 6,9%
- a idade média das mães adolescentes foi de 17,6 anos, enquanto a dos parceiros ficou em 22,4
- 85,5% das adolescentes não tinham desejo de ficar grávidas
- ao engravidar, apenas 15% delas usavam camisinha, 19,2% tomavam anticoncepcional oral, 2,3% usavam anticoncepcional injetável e 0,8% das garotas fazia uso de DIU
- 69,5% dos casais avaliados no estudo passaram a viver consensualmente após a adolescente ficar grávida
- destes, 62% recebiam ajuda financeira de parentes e 79%, da família da mãe
Albertina Takiuti, coordenadora do programa de Saúde do Adolescente da secretaria, ao avaliar estes resultados, alerta para a necessidade do governo redirecionar as políticas voltadas para adolescentes, pois a falta de informação sobre contraceptivos e sobre o uso da camisinha não pode ser a única razão para a gravidez precoce. Segundo ela, deve haver a preocupação de mostrar às adolescentes como agir com o parceiro para evitar a gravidez: “o sentimento de insegurança em relação aos parceiros e a fragilidade emocional foram os principais fatores que levaram essas adolescentes a engravidar, pois a maioria possuía conhecimento e informação sobre métodos anticoncepcionais, e não desejava filhos”, acrescentou.
Para Takiuti, as meninas, diante de homens mais velhos, ficam inibidas a propor o uso de camisinha: "precisamos orientá-las a negociar o uso. O estudo mostrou que, no Estado, 16,9% das mães são adolescentes; porém, entre 1998 e 2005, os partos de adolescentes caíram 29% graças a um esforço maior na informação", afirmou ela.
“Observando os dados percebemos que as campanhas informativas sobre a necessidade do uso de anticoncepcionais eram importantes, mas não garantiam proteção contra a gravidez indesejada. A baixa auto-estima, principalmente das meninas, e a falta de um projeto pessoal, eram fatores determinantes na vulnerabilidade do adolescente. Ampliamos, assim, o projeto da Casa do Adolescente, que possui uma equipe de profissionais de diversas áreas, entre médicos, dentistas, fonoaudiólogos, assistentes sociais, enfermeiros, psicólogos e professores, todos especializados em orientação sexual a jovens. Hoje são 11 unidades na capital, Grande São Paulo e litoral do Estado”, concluiu a coordenadora.
Fonte: Secretaria de Estado da Saúde
| - Anterior - |